ÁGUA BOA

Economia

Capítulo 4 – O poder dos dividendos

Publicado em

Economia


source
Werner Roger, colunista
werner roger

Werner Roger, colunista

Investimentos em ações proporcionam apenas dois tipos de ganhos aos investidores: ganhos através da valorização das ações e dividendos . O ganho de capital depende da compra de uma ação a determinado preço e sua valorização e/ou venda a um preço superior , algo que depende exclusivamente de o mercado pagar mais caro no futuro. Portanto, este ganho potencial depende 100% do mercado e está sujeito aos custos de transação (corretagem) e ao Imposto de Renda (15% para pessoas físicas), quando da realização do lucro ou venda das ações.

A segunda possibilidade são os dividendos, algo que, para a Trígono, é especialmente importante no longo prazo, e não depende do comportamento do mercado. Com a queda da taxa de juros , os dividendos se tornam ainda mais importantes, pois proporcionam renda aos investidores e tornam as empresas que pagam dividendos elevados mais atraentes aos investidores. Na Trígono, além da avaliação criteriosa do valor das empresas, tanto nos aspectos quantitativos quanto qualitativos, privilegiamos empresas cuja distribuição de dividendos representa parcela importante sobre o valor de mercado da empresa, que nada mais é que dividendos por ação dividido pelo preço da ação (yield). Buscamos empresas cujo yield nos próximos doze meses seja superior a 3,5% – que corresponde à atual Selic –, lembrando que os dividendos ou yield poderão ser maiores, crescendo com os lucros das empresas em trajetórias ascendentes, enquanto a Selic poderá cair ou manter-se em nível baixo por longo período caso as reformas estruturais em andamento no país tragam os resultados esperados. 

No entanto, a taxa SELIC está abaixo da inflação, causando perdas aos investidores em relação ao poder aquisitivo da moeda, enquanto encontramos muitas empresas com yield superior a 5%, acima da taxa da inflação. Obviamente nem todas as empresas investidas atendem este requisito, pois quando em expansão ou realizando investimentos reservam seus recursos para estes fins, sobrando menos capital para dividendos. No entanto, quando estes investimentos maturarem, os dividendos voltarão, e  os acionistas passão a receber maior remuneração distribuídos pelas companhias, e ainda capturando o benefício do crescimento após a conclusão da expansão dos negócios.

Leia Também:  Produtos da cesta básica ficam mais caros em 14 capitais, aponta Dieese

Diversos estudos demonstram a importância dos dividendos no longo prazo e, quanto maior o horizonte do investidor ou o período de manutenção das ações, maior a importância relativa dos dividendos. Lembramos ainda que dividendos são isentos de Imposto de Renda e de custos de transação.

A seguir, demonstraremos O Poder dos Dividendos e sua importância no longo prazo. As tabelas e gráficos mostram o efeito da capitalização dos dividendos, ou seja, o reinvestimento deles na compra das ações das empresas em diferentes hipóteses e cenários, e a importância do crescimento dos lucros e dos dividendos.

Partimos de três hipóteses de crescimento anual de lucros das empresas: zero, 5% e 10%, num período de 20 anos. A segunda variável é o percentual de distribuição dos dividendos em relação ao lucro (payout) em 25%, 35%, 50%, 65% e 80%. A terceira variável é a relação entre preço das ações e lucro das empresas, ou o múltiplo que os investidores pagam e que determina o valor de mercado da empresa em relação a seu lucro, o que é conhecido como P/L (Preço/Lucro). Consideramos os índices 8x, 10x, 12x, 15x, 20x e 25x, onde 8x é a ação mais barata e 25x a mais cara. No total, há 90 combinações possíveis.

Neste exercício, consideramos que: as ações permanecem com seus preços constantes em relação aos lucros ou seja a mesma relação de preço sobre o lucro ou P/L; há manutenção dos percentuais de dividendos em relação aos lucros e, por fim, que os acionistas utilizarão os dividendos para comprar ações das empresas, ou seja, aumentarão a quantidade das ações possuídas ao longo de 20 anos. Após este período, multiplicamos a quantidade das ações detidas pelo preço das ações ao final do período, considerando os diferentes múltiplos e índices de payout, e verificamos o ganho percentual anual obtido nas diferentes hipóteses.

Crescimento Zero
Brasil Econômico

Crescimento Zero


Crescimento de 5%
Brasil Econômico

Crescimento de 5%


Crescimento de 10%
Brasil Econômico

Crescimento de 10%


O poder dos dividendos 8x
Brasil Econômico

O poder dos dividendos 8x


O poder dos dividendos 12x
Brasil Econômico

O poder dos dividendos 12x


O poder dos dividendos 25x
Brasil Econômico

O poder dos dividendos 25x


Você viu?




Considerando, por exemplo, as possibilidades de crescimento nulo, 5% e 10%, índice P/L de 12x e payout de 50%, os investidores obteriam ganho anual composto de 4,2%, 9,4% e 14,6%. Já na hipótese de crescimento de 5% anual de lucros, a empresa com payout de 50% e relação P/L de 8x, proporcionaria ganhos anuais compostos de 11,9%. Na mesma hipótese de crescimento de 5% e no mesmo payout de 50%, mas considerando que a empresa negocie a 25x os lucros, os investidores obteriam retornos anuais compostos de 7,1%. Esses exemplos demonstram que é melhor investir em empresas cujas ações são negociadas em múltiplos baixos em relação ao valor de mercado, o que é típico das ações denominadas small caps ou da estratégia Valor (Value). A estratégia Value é atribuída ao investimento em empresas que negociam com múltiplos baixos ou descontados e/ou que proporcionam dividendos ou yields elevados em relação à média do mercado.

Leia Também:  "Bolsolão": deputado promete ir ao STF para barrar R$ 3 bi em emendas

Na Trígono, buscamos empresas com múltiplos baixos típicos de small caps, dividendos ou yield elevados e, se possível, que tenham crescimento no longo prazo aliado às boas práticas de ESG (Environmental, Social and corporate Governance), isto é, relações harmoniosas com a sociedade, respeito ao meio ambiente e boa governança.

Na ilustração abaixo, mostramos o efeito composto do reinvestimento dos dividendos no longo prazo no mercado mais desenvolvido do mundo e por meio do principal índice de ações. 

S&P 500
Brasil Econômico

S&P 500


O resultado obtido é semelhante a algumas situações hipotéticas que ilustramos anteriormente, mas espelha a realidade de mercado e do ganho de investimentos em ações no longo prazo.

Fazendo uma analogia ao tema que sempre ilustro, a agricultura. Dividendos são como os frutos ou grãos cujas sementes plantadas novamente geram mais sementes e assim sucessivamente. Espero que nossos leitores escolham boas sementes, semeiem, cultivem adequadamente, a colheita será generosa e os silos ficarão repletos. A oportunidade para boas semeaduras e colheitas estão aí ao alcance de todos. 

Werner Roger

Gestor e sócio cofundador da Trígono Capital


COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Economia

Reforma administrativa traz risco real de aumento da corrupção, diz especialista

Publicados

em


source
A especialista em administração e burocracia estatal foi a entrevistada do Brasil Econômico ao Vivo desta quinta-feira (10)
Brasil Econômico

A especialista em administração e burocracia estatal foi a entrevistada do Brasil Econômico ao Vivo desta quinta-feira (10)

A professora de administração pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alketa Peci, foi a entrevistada do  Brasil Econômico ao Vivo de quinta-feira (10). Ela disse haver risco real de mais  indicações de cargos após o fim da estabilidade dos servidores federais, como projetado pela reforma administrativa , o que pode aumentar a corrupção .

“O Brasil é um país paradoxal . Se por um lado, conseguimos consolidar um governo forte, profissional, com estabilidade, por outro lado, temos uma boa proporção de cargos politicamente indicados”.

Segundo ela, os países onde a administração pública performa melhor no âmbito econômico, e tem menores níveis de corrupção, são aqueles que a burocracia independe da política.

“O órgão independente funciona como peso e contrapeso ao poder político. Acaba pressionando os políticos a não abusarem, já que se baseiam em processos de escolha meritocráticos, e possuem corpo técnico qualificado.”

Você viu?

Como exemplo, ela citou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 

“Muito foi acusado pela mídia que a Anvisa havia sido capturada pelo governo Bolsonaro, ao indicar os cargos do Conselho diretor. Na prática, isso não aconteceu. A agência continua técnica, profissional, e a população confia, independente da vacina ser chinesa, indiana, ou que vira jacaré”, salientou a especialista.

Veja o vídeo:



COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

AGUA BOA

VALE DO ARAGUAIA

MATO GROSSO

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA