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Inflação faz saques da poupança superarem depósitos após quatro meses

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Com gasolina, gás e alimentos mais caros, saques da poupança superam depósitos
Lorena Amaro

Com gasolina, gás e alimentos mais caros, saques da poupança superam depósitos

Os saques na caderneta de poupança superaram os depósitos no mês de agosto em R$ 5,46 bilhões, após quatro meses de resultados positivos, como informou o Banco Central. É a primeira vez desde a volta do pagamento do auxílio emergencial, em abril, em que há um resultado negativo. Especialistas atribuem o movimento à alta da inflação.

No início do ano, durante os três meses em que não houve pagamento de auxílio emergencial, os números foram negativos na ordem de R$ 27,5 bilhões. Mas, com a instituição do novo benefício — ainda que bem menor ao pago em 2020 — a captação da poupança voltou a ser positiva, com R$ 3,8 bilhões, tendo sido junho o mês com mais alto valor em depósitos.

Segundo o Relatório de Poupança de agosto, o total investido na modalidade permanece superior a R$ 1 trilhão. Pela regra que vigora hoje, a caderneta rende 70% da Taxa Selic, acrescida da Taxa Referecial, que está zerada.

Para Gilberto Braga, economista e professor do Ibmec RJ, os saques se devem à necessidade de recomposição dos orçamentos familiares, já que muitas pessoas mantêm a poupança como reserva de emergência.

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“Diante da alta da inflação, que atinge sobretudo os alimentos e os combustíveis, os salários ficam defasados e perdem o poder de compra. Isso faz com que as pessoas tenham que recorrer ao dinheiro que possuem guardado. O fato do auxílio ainda ser pago não impede os saques porque o valor está muito reduzido, em relação ao período anterior”, opina Braga, que acredita que os saques irão se intensificar ainda mais até o fim do ano.

O especialista em finanças da Impacto Consultoria financeira, Felipe Nogueira, concorda. Segundo ele, a necessidade de saque ocorre para a não realização de empréstimos ou linha de crédito visto que a renda de muitas pessoas diminuiu.

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Por outro lado, Nogueira afirma que pessoas com renda mais alta que mantinham ainda recursos na poupança têm despertado para melhores opções de aplicações, em busca de maior rentabilidade, o que também pode ter contribuído:

“É uma mudança de comportamento gradual. As pessoas também estão ganhando confiança em aplicações realizadas com menor valor, fazendo atualmente novos aportes, com mais capital.”

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46 milhões de lares não têm renda do trabalho no Brasil, diz Ipea

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46 milhões de domicílios não tem renda do trabalho no Brasil
Redação 1Bilhão Educação Financeira

46 milhões de domicílios não tem renda do trabalho no Brasil

Um estudo divulgado nesta sexta-feira (17) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelou que no Brasil o percentual de lares sem renda do trabalho aumentou durante a pandemia, e a recuperação ainda não está consolidada. No segundo trimestre deste ano, a proporção de casas sem renda do trabalho foi estimada em 28,5%, ou seja, quase três em cada dez. Isso indica que 46 milhões de pessoas sobreviviam em lares sem dinheiro vindo de atividades profissionais, de acordo com o pesquisador do Ipea, Sandro Sacchet, autor do estudo. 

No mesmo período, a proporção de famílias sem renda do trabalho chegou a 31,56%. O percentual caiu em seguida, mas ainda continua alto. “As contratações devem aumentar com a movimentação deste final de ano. A questão é ver em qual patamar o percentual vai se estabilizar depois, ou não”, argumenta Sacchet.

Em comparação, no quarto trimestre de 2019, antes da pandemia, a proporção era de 23,54%, o que equivale a 36,5 milhões de pessoas. Assim, isso indica que durante a crise, o aumento do número de brasileiros nessa situação foi de aproximadamente 9,5 milhões de cidadãos. O sustento, nesses casos, pode vir de programas de assistência como o auxílio emergencial, aposentadorias e pensões. 

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O estudo foi realizado com base nos dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que é feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em conclusão, segundo o Ipea, o mercado de trabalho “teve um forte impacto inicial da pandemia e uma lenta recuperação, que ainda se encontrava incompleta” até o período de análise.

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Conforme o estudo, o rendimento habitual médio dos trabalhadores ocupados caiu 6,6% no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo período de 2020.

As alterações, contudo, são “apenas o inverso” do observado no início da pandemia, “quando os rendimentos habituais apresentaram um crescimento acelerado”, diz o levantamento.

Isso porque, no começo da crise, a perda de ocupações se concentrou em vagas com remuneração menor, setores de construção, comércio, alojamento e alimentação, além de impactar os empregados sem carteira assinada e principalmente aqueles que trabalhavam por conta própria.

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Assim, os profissionais que permaneceram ocupados naquele momento foram aqueles com renda relativamente mais alta, segundo a pesquisa. A situação acabou elevando os ganhos médios com o trabalho. Agora, o cenário mudou. Com a volta dos informais e trabalhadores por conta própria ao mercado, o rendimento habitual, em média, passa a cair.

Já a renda efetiva, aquela que de fato o trabalhador recebeu, subiu 0,9% no segundo trimestre de 2021, na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, o pior momento da crise no mercado de trabalho.

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