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MT tem 6 cidades entre as 10 mais ricas do agro, mostra estudo

Sorriso liderada lista divulgada pelo site Bahia Agrícola; ranking foi feito com base em dados do Mapa

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Mato Grosso tem seis das dez cidades mais ricas do agronegócio brasileiro Foto: Reprodução

– Mídia News

Seis cidades de Mato Grosso aparecerem em um ranking das mais ricas do agronegócio brasileiro, segundo dados divulgados pelo Portal Bahia Agrícola no Instagram. Os números têm como base informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Segundo os dados, Sorriso é a referência na produção agrícola e seu Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) atinge R$ 8,3 bilhões, considerado o município de maior polo agrícola do mundo.

As informações do Portal Bahia Agrícola têm como base um levantamento das 100 cidades mais ricas do agronegócio brasileiro.

A segunda posição é ocupada por São Desidério (BA), com R$ 7,7 bilhões no oeste baiano, como região produtora estratégica junto com o Estado.

Entre as 10 cidades do ranking baseado em produção, Mato Grosso tem 6 áreas produtivas e seus ativos financeiros. O que inclui Sapezal (3ª), com R$ 7,5 bilhões; Campo Novo do Parecis (4ª), R$ 7,1 bilhões; Diamantino (6ª), R$ 5,9 bilhões; Nova Ubiratã (8ª), R$ 5,4 bilhões; e Nova Mutum (9ª), R$ 5,3 bilhões.

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O ranking destaca o avanço na produção nos municípios de Campo Novo do Parecis e Nova Mutum, ambos com Valor Bruto da Produção Agropecuária acima de R$ 5 bilhões.

Ranking das 20 mais ricas 

Em outro recorte das 20 cidades mais ricas do Brasil, Mato Grosso tem 14 cidades produtoras em destaque, com ranking consecutivo da 13ª à 20ª posições.

Nessa lista estão, por ordem: Querência (13ª), Primavera do Leste, Paranatinga, Campo Verde, Campos de Júlio, Brasnorte, São Félix do Araguaia e Lucas do Rio Verde (20ª), com valor bruto da produção agropecuária de R$ 3,6 bilhões.

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Agricultura

Risco do El Niño está na janela de plantio do Mato Grosso

Ameaça nasce do atraso das chuvas no início do ciclo da soja

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Consolidou-se no imaginário do agronegócio a ideia de que ano de El Niño é, automaticamente, ano de quebra em Mato Grosso. Segundo a análise do meteorologista do Portal Agrolink, Gabriel Rodrigues, o exame dos oito principais eventos do fenômeno registrados desde o início da década de 1990 desmonta essa associação direta. Em vez de uma relação linear entre o aquecimento do Pacífico Equatorial e a perda de produtividade, o que os dados de Conab, IBGE e Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) revelam é um vínculo bem mais sutil, e operacionalmente mais importante para quem planeja a lavoura. “O verdadeiro fator de risco no estado não é a intensidade do índice oceânico, mas o atraso no início da estação chuvosa e a compressão da janela de plantio que ele provoca” , salienta.

De acordo com o especialista, dos oito eventos analizados (1991/92, 1994/95, 1997/98, 2002/03, 2004/05, 2009/10, 2014/15 e 2023/24), apenas dois resultaram em dano expressivo à soja mato-grossense. Em todos os demais, a oleaginosa manteve desempenho dentro ou acima da tendência tecnológica do estado, ainda que sob estresse climático localizado em algumas regiões.

Uma zona de transição climática

Para o meteorologista, a explicação para essa baixa correlação está na geografia climática. “Mato Grosso ocupa uma faixa de transição onde o sinal clássico do El Niño no Brasil, chuva acima da média no Sul e seca no Nordeste, perde nitidez. No Centro-Oeste, o fenômeno tende a se manifestar como irregularidade na distribuição das chuvas, veranicos dentro da estação úmida e temperaturas mais elevadas, e não como uma seca uniforme e previsível. Daí a variabilidade dos resultados de uma safra para outra”, avalia Rodrigues.

“O melhor retrato desse paradoxo está na comparação entre dois eventos de intensidade semelhante”, pontua. O Super El Niño de 1997/98, um dos mais fortes do século XX, coincidiu com uma safra recorde de soja em Mato Grosso. Já o Super El Niño de 2023/24 produziu a maior quebra absoluta da história do estado. Mesma magnitude no Pacífico, desfechos opostos no campo.

A diferença, segundo a leitura das condições daquele ciclo, esteve no Oceano Atlântico. Em 2023/24, o El Niño atuou em conjunto com o aquecimento anômalo do Atlântico Tropical Norte, que deslocou a Zona de Convergência Intertropical e ressecou o Centro-Norte brasileiro. De acordo com Gabriel Rodrigues, a conclusão técnica é direta: a intensidade do Índice Oceânico Niño (ONI) considerada isoladamente não antecipa o impacto em Mato Grosso. É preciso monitorar o Atlântico em paralelo.

O gatilho operacional: a largada da soja

Se a intensidade do fenômeno explica pouco, o calendário explica quase tudo. O especialista explica que quando o El Niño retarda a regularização das chuvas entre setembro e outubro, o produtor é obrigado a empurrar a semeadura da soja para novembro. Esse deslocamento inicial desencadeia uma sequência de efeitos sobre toda a sucessão de culturas.

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“A cadeia de transmissão é conhecida: o início irregular das chuvas força atraso ou replantio da soja; a colheita resulta desuniforme e encavalada; a janela ideal para a segunda safra de milho encurta; e o cereal fica mais exposto a déficit hídrico e térmico no fim do ciclo, já no avanço da estação seca. A esse risco somam-se a decisão de trocar a cultura posterior em parte da área e uma pressão sanitária maior, decorrente da dessincronização dos calendários de aplicação”, aponta.

O histórico desfaz simplificações

Segundo o meteorologista do Portal Agrolink, a leitura ano a ano confirma o padrão. Nas safras 1991/92 e 1994/95, sob El Niño forte e moderado, Mato Grosso manteve sua trajetória de expansão sem dano relevante, com a segunda safra ainda incipiente no estado. Em 1997/98, mesmo sob o Super El Niño, a soja bateu recorde; quem cedeu terreno foi o arroz de sequeiro, abrindo espaço para a consolidação da oleaginosa e do milho safrinha. Em 2002/03, apesar das previsões alarmantes, o estado registrou supersafra, com salto de cerca de 16% na produção, enquanto a seca severa se concentrava no Rio Grande do Sul.

A safra 2004/05 exige uma correção frequentemente ignorada. Lembrada como uma das piores para a renda do produtor, ela não foi, em Mato Grosso, uma quebra de origem climática. O epicentro da estiagem esteve no Sul e em Mato Grosso do Sul. No estado mato-grossense, o golpe foi de natureza econômica e fitossanitária — queda de preços, valorização do real, explosão de custos com fungicidas por conta da ferrugem asiática e endividamento. O clima local foi coadjuvante.

Em 2009/10, um El Niño moderado atrasou o plantio em pontos do médio-norte. Em Deciolândia, choveu apenas 33 milímetros em outubro, contra 140 a 160 milímetros da média, o que forçou replantios e subtraiu cerca de 1 milhão de toneladas de soja. A regularização posterior das chuvas, porém, garantiu uma segunda safra de milho excelente. O atraso inicial foi absorvido.

2014/15 e 2015/16: o efeito-dominó em estado puro

De acordo com a análise, o par de safras 2014/15 e 2015/16 oferece o exemplo mais didático do encadeamento. Em 2014/15, com o El Niño em formação, a estiagem de outubro atrasou a semeadura de forma aguda: na primeira semana de novembro, apenas 67% da área de soja estava plantada em Mato Grosso, contra 86% no mesmo período do ano anterior. A Aprosoja-MT chegou a projetar redução de até 40% na área de milho segunda safra em algumas regiões, diante da perda da janela ideal para o cereal.

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O dano de fato se materializou no ciclo seguinte. Em 2015/16, no auge do fenômeno, a produtividade da soja recuou de 4 a 6 sacas por hectare em diversas regiões, e o milho segunda safra quebrou cerca de 30% no estado, conforme avaliação de CNA e Conab. Atraso em um ciclo, prejuízo no outro — o roteiro completo do efeito cascata.

2023/24: o caso extremo e a reviravolta da safrinha

A safra 2023/24 representou o teste de estresse mais severo do sistema produtivo mato-grossense. “A combinação de Super El Niño e Atlântico aquecido levou ao replantio de cerca de 700 mil hectares e à maturação antecipada de 10 a 20 dias em parte das lavouras, segundo o acompanhamento da Conab. A produção estadual de soja fechou entre 38,4 milhões de toneladas, na contabilidade do IMEA, e 40,4 milhões, na da Conab, a maior quebra absoluta já registrada no estado, estimada em torno de 20% sobre o potencial inicial”, comenta.

A segunda safra, contudo, trouxe uma reviravolta. As chuvas se prolongaram no outono e sustentaram o desenvolvimento do milho, inclusive nas áreas semeadas fora da janela ideal. O resultado é instrutivo: a produção do cereal recuou cerca de 10%, para 47,2 milhões de toneladas, mas a queda decorreu da redução de área, e não de perda de produtividade, essa, na verdade, subiu para 115,6 sacas por hectare no consolidado do IMEA. O algodão de segunda safra, beneficiado pela maior tolerância térmica, avançou rumo a um recorde. O sistema produtivo se reorganizou em meio à adversidade.

O alerta para 2026/27

Gabriel Rodrigues avalia que a discussão volta ao centro das atenções porque o ciclo pode se repetir. A agência climática norte-americana NOAA opera em estado de alerta para a formação de um novo El Niño, com probabilidade próxima de 98% para o trimestre maio-julho de 2026, e o IMEA já incorporou esse risco às projeções, indicando recuo em torno de 5% na produção de soja de Mato Grosso na safra 2026/27.

A lição que atravessa três décadas de dados é clara para a gestão de risco no estado. Um ONI elevado, por si só, não é sentença de quebra. O monitoramento do início efetivo das chuvas e do percentual de área plantada em datas de corte , abaixo de 30% até 31 de outubro, por exemplo, antecipa melhor o problema do que o índice oceânico. E o Atlântico Tropical Norte precisa entrar na conta. Diante de um El Niño, a pergunta decisiva para o produtor mato-grossense não é se vai chover menos, mas quando a chuva vai começar.

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