Cidades
Aeroporto de Porto Alegre do Norte entra em concessão e deve receber mais de R$ 25 milhões em investimentos
Terminal do Norte Araguaia passa a integrar gestão da GRU Airport e deve ganhar melhorias estruturais.
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O aeroporto de Porto Alegre do Norte foi incluído em um novo modelo de concessão aeroportuária e passará a ser administrado pela GRU Airport, concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). A previsão é de investimentos superiores a R$ 25 milhões na modernização da estrutura.
A medida integra o Programa AmpliAR, do Governo Federal, que tem como objetivo fortalecer a aviação regional por meio da inclusão de aeroportos de menor porte em concessões já existentes. A proposta é ampliar a conectividade aérea em regiões com menor cobertura de voos comerciais.
No município, os recursos devem ser aplicados em melhorias na pista de pouso e decolagem, pátio de aeronaves e terminal de passageiros, além de adequações operacionais voltadas à segurança e ao atendimento.
Atualmente, o aeroporto não conta com voos comerciais regulares. Com as intervenções previstas, a expectativa é ampliar a capacidade de operação e criar condições para receber aeronaves de maior porte, o que pode viabilizar novas rotas.
A modernização do terminal é vista como estratégica para o Norte Araguaia, tanto para o transporte de passageiros quanto para o escoamento da produção regional. A iniciativa também deve beneficiar municípios vizinhos, ampliando o acesso da população a serviços aéreos.
O pacote de concessões inclui aeroportos de diferentes regiões do país como os de Paulo Afonso, Lençóis e Barreirinhas no Maranhão, Araguaína em Tocantins, São Raimundo Nonato no Piauí, Cacoal e Vilhena em Rondônia, Canoa Quebrada no Ceará, além de Serra Talhada, Garanhuns e Araripina em Pernambuco.
Cidades
Indígenas Kanela do Araguaia contestam versão de invasão e negam violência em fazenda de Luciara
Povo afirma que área faz parte de reserva reconhecida e classifica ocupação como “retomada legítima”.
Segundo a nota, a área em questão não estaria sendo invadida, mas sim retomada dentro de um território oficialmente reconhecido pelo Governo Federal. Os Kanela citam a Portaria nº 1.378/2025 da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que instituiu a Reserva Indígena Kanela do Araguaia, abrangendo áreas nos municípios de Luciara e São Félix do Araguaia.
De acordo com o documento, as comunidades atualmente instaladas estão dentro dos limites dessa reserva, o que, segundo eles, descaracteriza qualquer ilegalidade na ocupação.
O povo indígena também nega as acusações de que teria mantido um caseiro sob vigilância ou ameaça. As alegações são classificadas como “infundadas” e, segundo a nota, fariam parte de narrativas recorrentes para criminalizar movimentos de retomada territorial.
Os Kanela informam ainda que a situação foi comunicada oficialmente às autoridades, incluindo a Polícia Civil e a Polícia Militar da região, por meio de documento encaminhado pela Funai. No ofício, segundo a nota, consta que as áreas pertencem à reserva indígena e que eventual retirada dos ocupantes seria considerada irregular.
Outro ponto levantado é a suspeita de que o boletim de ocorrência possa ter sido influenciado por pessoas que estariam ocupando áreas públicas de forma irregular dentro do território indígena. O grupo pede apuração criteriosa dos fatos para evitar injustiças.
Na nota, os indígenas também denunciam a existência de práticas ilegais na região, como desmatamento, queimadas, caça e pesca predatória, atribuindo essas ações a ocupantes não indígenas.
Por fim, o povo Kanela do Araguaia afitma que não se considera invasor e sustenta que exerce um direito originário sobre a terra, destacando o valor cultural, espiritual e ancestral do território.
O caso segue sob análise das autoridades competentes.
Leia a nota na íntegra:
NOTA DE ESCLARECIMENTO À SOCIEDADE E À IMPRENSA
Diante das matérias divulgadas por sites regionais, que tratam de uma suposta “invasão” de propriedade rural no município de Luciara (MT), o povo indígena Kanela do Araguaia vem a público esclarecer os fatos e repudiar a forma preconceituosa e distorcida com que a situação foi apresentada.
É importante destacar que a matéria utiliza expressões como “indivíduos que se dizem indígenas”, o que demonstra desconhecimento e reforça um discurso discriminatório contra os povos originários. O povo Kanela do Araguaia é reconhecido, possui organização própria, liderança legítima e identidade étnica consolidada, não cabendo qualquer questionamento nesse sentido.
A área que está sendo ocupada pelo povo Kanela não se trata de invasão, mas sim de uma retomada legítima dentro de território oficialmente reconhecido pelo Estado brasileiro. Conforme a Portaria FUNAI nº 1.378, de 17 de novembro de 2025, foi constituída a Reserva Indígena Kanela do Araguaia, destinada ao usufruto exclusivo do povo Kanela do Araguaia, localizada nos municípios de Luciara/MT e São Félix do Araguaia/MT, no estado de Mato Grosso. Entre as áreas que compõem essa reserva estão:
* Tapirapé I
* Tapirapé II
* Tapirapé III
* Tapirapé IV
* Tapirapé V
* São Pedro
As comunidades atualmente em retomada estão dentro dos limites dessa reserva legalmente constituída, o que reforça que não há qualquer ilegalidade ou invasão, mas sim o exercício de um direito garantido.
O povo Kanela do Araguaia desconhece e repudia as acusações de que teria mantido qualquer pessoa sob vigilância, ameaça ou uso de violência, sendo tais alegações infundadas. Trata-se de narrativas que historicamente têm sido utilizadas para criminalizar movimentos legítimos de retomada territorial indígena.
Ressaltamos que o povo Kanela já sofreu, ao longo dos anos, diversas formas de perseguição, inclusive com prisões de caciques e lideranças dentro de seu próprio território, ainda quando a área estava em processo de regularização. Hoje, porém, a realidade é outra: a terra está regularizada por meio de ato oficial do Governo Federal, não havendo margem para interpretações equivocadas.
Informamos ainda que as autoridades competentes foram devidamente comunicadas por meio do Ofício nº 179/2026/DIDEM/FUNAI, encaminhado ao:
* Delegado Regional da Polícia Civil de Vila Rica – MT, Sr. Allan Victor Souza da Mata
* Comandante Regional da Polícia Militar, Tenente-Coronel Roosevelth Fabiano Oliveira Escolástico
No referido documento, foi formalmente esclarecido que as áreas em questão pertencem à Reserva Indígena Kanela do Araguaia, bem como que qualquer tentativa de retirada dos indígenas dessas localidades configura medida irregular, por se tratar de território oficialmente reconhecido.
Acrescentamos ainda que o boletim de ocorrência mencionado apresenta indícios de ter sido confeccionado de forma tendenciosa, possivelmente influenciado por pessoas que atualmente se utilizam de áreas públicas de forma irregular dentro do território indígena. Tal situação reforça a necessidade de apuração criteriosa dos fatos pelas autoridades competentes, a fim de evitar injustiças e a criminalização indevida do povo indígena Kanela do Araguaia.
Reafirmamos ainda que, diante da valorização das terras na região, tem aumentado significativamente o número de pessoas que se utilizam de áreas públicas de forma irregular, promovendo a formação de pastagens em vegetação nativa, a retirada ilegal de madeira, a prática de caça e pesca predatória, além de queimadas criminosas. Essas ações vêm causando sérios danos à fauna e à flora de nossos territórios.
Para essas pessoas, muitas vezes a terra possui apenas valor material e econômico. Para nós, povos indígenas, ela possui um valor muito maior: é um valor espiritual, cultural e ancestral. Nossos antepassados viveram, lutaram e estão sepultados nessas terras. A terra, para nós, é nossa mãe, que há muito tempo vem clamando por socorro diante da destruição causada por essas práticas ilegais.
Dessa forma, reafirmamos com clareza: não somos invasores. Somos os verdadeiros donos originários dessas terras, já reconhecidas e regularizadas por meio de ato oficial. Estamos apenas retornando ao que sempre foi nosso por direito, protegendo um território que carrega a história, a memória e a vida do nosso povo, onde muitos de nossos familiares estão sepultados.
Por fim, cobramos responsabilidade para que os fatos sejam devidamente apurados antes da divulgação de informações que possam gerar conflitos, preconceito e desinformação.
Povo Indígena Kanela do Araguaia
Associação APKAAP
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