MANDADO DE SEGURANÇA
Contrato milionário de energia solar entra no foco após decisão da Justiça em Canarana
/ Painel Diario
Um contrato de aproximadamente R$ 20 milhões firmado pela Prefeitura de Canarana para implantação de um sistema de energia solar em prédios públicos entrou no foco após uma decisão da Justiça de Mato Grosso. O caso ganhou repercussão depois que pedidos formais de informação enviados por um cidadão não receberam resposta nem da Prefeitura nem da Câmara Municipal.
Diante da falta de retorno, foi impetrado um mandado de segurança, que acabou analisado pela 2ª Vara de Canarana. Na decisão, o juiz Alex Ferreira Dourado determinou que o Município e o Legislativo municipal apresentem, no prazo de 15 dias, toda a documentação relacionada ao contrato e também os registros da autorização legislativa que permitiu a operação financeira.
Segundo consta na decisão, o acesso à informação é um direito garantido pela Constituição Federal e pela Lei de Acesso à Informação. Quando órgãos públicos deixam de responder solicitações sobre documentos de interesse público, a situação pode configurar omissão administrativa.
O centro da discussão é o Contrato Administrativo nº 073/2025, firmado pelo Município para implantação de um sistema de geração de energia fotovoltaica destinado a abastecer prédios públicos da cidade.
De acordo com a representação apresentada ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, o contrato foi assinado em julho de 2025 com a empresa PMT – Photonex Comércio de Material Elétrico Ltda, com valor aproximado de R$ 20 milhões.
A contratação ocorreu por meio de adesão a uma ata de registro de preços originada em um consórcio público do estado de Alagoas, mecanismo conhecido na administração pública como “carona em ata”. A legislação permite esse tipo de procedimento, desde que o ente público demonstre que a adesão traz vantagem econômica e que a solução contratada é compatível com a necessidade do município.
Outro ponto citado na representação diz respeito ao ritmo dos pagamentos realizados após a assinatura do contrato. Documentos mencionados no processo indicam que cerca de R$ 14,8 milhões teriam sido pagos em menos de dois meses, valor que corresponde a aproximadamente 74% do total contratado.
Segundo o documento encaminhado ao Tribunal de Contas, esse volume de pagamento em curto espaço de tempo exige análise técnica para verificar se houve correspondência entre os valores pagos e a execução efetiva das etapas previstas no contrato.
A representação protocolada no Tribunal de Contas não faz acusações diretas, mas levanta uma série de pontos que, segundo o autor do pedido, merecem verificação por parte dos órgãos de controle. Entre eles estão questionamentos sobre a consistência dos estudos técnicos que embasaram a contratação, a demonstração de vantajosidade da adesão à ata de registro de preços, a metodologia utilizada na formação dos valores contratados e a comprovação da execução das etapas que já foram pagas.
Também são mencionadas dúvidas sobre a existência de um projeto executivo completo do sistema fotovoltaico, a aprovação do projeto pela concessionária de energia elétrica e as condições de armazenamento de equipamentos adquiridos para o empreendimento.
De acordo com parecer técnico anexado ao processo, parte desses equipamentos estaria armazenada em local aberto, situação que poderia comprometer a integridade dos materiais caso não haja proteção adequada.
A decisão judicial não entra no mérito da contratação neste momento. O objetivo da medida é garantir acesso aos documentos e permitir que as informações solicitadas sejam disponibilizadas.
Entre os documentos que deverão ser apresentados pela Prefeitura estão o processo completo de adesão à ata de registro de preços, o projeto executivo do sistema, cronogramas da obra, ordens de serviço, medições, relatórios de execução, notas fiscais e comprovantes de pagamento.
Já a Câmara Municipal deverá apresentar documentos relacionados à autorização legislativa da operação financeira, incluindo o projeto de lei encaminhado pelo Executivo, justificativas técnicas, estudos de viabilidade, pareceres das comissões e registros de votação dos vereadores.
O processo tramita sob o número 1000139-54.2026.8.11.0029.
Após a entrega das informações solicitadas pela Justiça, o caso ainda deverá passar pela análise do Ministério Público. Paralelamente, a representação apresentada ao Tribunal de Contas pede que o órgão realize auditoria para verificar a regularidade da contratação e da execução do contrato.
Até o momento, o que existe são questionamentos formais que buscam esclarecimentos e análise técnica. Com a determinação judicial para apresentação dos documentos, o caso entra agora em uma fase que pode esclarecer se a contratação seguiu os critérios legais, técnicos e financeiros exigidos pela administração pública.
Cidades
Indígenas Kanela do Araguaia contestam versão de invasão e negam violência em fazenda de Luciara
Povo afirma que área faz parte de reserva reconhecida e classifica ocupação como “retomada legítima”.
Segundo a nota, a área em questão não estaria sendo invadida, mas sim retomada dentro de um território oficialmente reconhecido pelo Governo Federal. Os Kanela citam a Portaria nº 1.378/2025 da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que instituiu a Reserva Indígena Kanela do Araguaia, abrangendo áreas nos municípios de Luciara e São Félix do Araguaia.
De acordo com o documento, as comunidades atualmente instaladas estão dentro dos limites dessa reserva, o que, segundo eles, descaracteriza qualquer ilegalidade na ocupação.
O povo indígena também nega as acusações de que teria mantido um caseiro sob vigilância ou ameaça. As alegações são classificadas como “infundadas” e, segundo a nota, fariam parte de narrativas recorrentes para criminalizar movimentos de retomada territorial.
Os Kanela informam ainda que a situação foi comunicada oficialmente às autoridades, incluindo a Polícia Civil e a Polícia Militar da região, por meio de documento encaminhado pela Funai. No ofício, segundo a nota, consta que as áreas pertencem à reserva indígena e que eventual retirada dos ocupantes seria considerada irregular.
Outro ponto levantado é a suspeita de que o boletim de ocorrência possa ter sido influenciado por pessoas que estariam ocupando áreas públicas de forma irregular dentro do território indígena. O grupo pede apuração criteriosa dos fatos para evitar injustiças.
Na nota, os indígenas também denunciam a existência de práticas ilegais na região, como desmatamento, queimadas, caça e pesca predatória, atribuindo essas ações a ocupantes não indígenas.
Por fim, o povo Kanela do Araguaia afitma que não se considera invasor e sustenta que exerce um direito originário sobre a terra, destacando o valor cultural, espiritual e ancestral do território.
O caso segue sob análise das autoridades competentes.
Leia a nota na íntegra:
NOTA DE ESCLARECIMENTO À SOCIEDADE E À IMPRENSA
Diante das matérias divulgadas por sites regionais, que tratam de uma suposta “invasão” de propriedade rural no município de Luciara (MT), o povo indígena Kanela do Araguaia vem a público esclarecer os fatos e repudiar a forma preconceituosa e distorcida com que a situação foi apresentada.
É importante destacar que a matéria utiliza expressões como “indivíduos que se dizem indígenas”, o que demonstra desconhecimento e reforça um discurso discriminatório contra os povos originários. O povo Kanela do Araguaia é reconhecido, possui organização própria, liderança legítima e identidade étnica consolidada, não cabendo qualquer questionamento nesse sentido.
A área que está sendo ocupada pelo povo Kanela não se trata de invasão, mas sim de uma retomada legítima dentro de território oficialmente reconhecido pelo Estado brasileiro. Conforme a Portaria FUNAI nº 1.378, de 17 de novembro de 2025, foi constituída a Reserva Indígena Kanela do Araguaia, destinada ao usufruto exclusivo do povo Kanela do Araguaia, localizada nos municípios de Luciara/MT e São Félix do Araguaia/MT, no estado de Mato Grosso. Entre as áreas que compõem essa reserva estão:
* Tapirapé I
* Tapirapé II
* Tapirapé III
* Tapirapé IV
* Tapirapé V
* São Pedro
As comunidades atualmente em retomada estão dentro dos limites dessa reserva legalmente constituída, o que reforça que não há qualquer ilegalidade ou invasão, mas sim o exercício de um direito garantido.
O povo Kanela do Araguaia desconhece e repudia as acusações de que teria mantido qualquer pessoa sob vigilância, ameaça ou uso de violência, sendo tais alegações infundadas. Trata-se de narrativas que historicamente têm sido utilizadas para criminalizar movimentos legítimos de retomada territorial indígena.
Ressaltamos que o povo Kanela já sofreu, ao longo dos anos, diversas formas de perseguição, inclusive com prisões de caciques e lideranças dentro de seu próprio território, ainda quando a área estava em processo de regularização. Hoje, porém, a realidade é outra: a terra está regularizada por meio de ato oficial do Governo Federal, não havendo margem para interpretações equivocadas.
Informamos ainda que as autoridades competentes foram devidamente comunicadas por meio do Ofício nº 179/2026/DIDEM/FUNAI, encaminhado ao:
* Delegado Regional da Polícia Civil de Vila Rica – MT, Sr. Allan Victor Souza da Mata
* Comandante Regional da Polícia Militar, Tenente-Coronel Roosevelth Fabiano Oliveira Escolástico
No referido documento, foi formalmente esclarecido que as áreas em questão pertencem à Reserva Indígena Kanela do Araguaia, bem como que qualquer tentativa de retirada dos indígenas dessas localidades configura medida irregular, por se tratar de território oficialmente reconhecido.
Acrescentamos ainda que o boletim de ocorrência mencionado apresenta indícios de ter sido confeccionado de forma tendenciosa, possivelmente influenciado por pessoas que atualmente se utilizam de áreas públicas de forma irregular dentro do território indígena. Tal situação reforça a necessidade de apuração criteriosa dos fatos pelas autoridades competentes, a fim de evitar injustiças e a criminalização indevida do povo indígena Kanela do Araguaia.
Reafirmamos ainda que, diante da valorização das terras na região, tem aumentado significativamente o número de pessoas que se utilizam de áreas públicas de forma irregular, promovendo a formação de pastagens em vegetação nativa, a retirada ilegal de madeira, a prática de caça e pesca predatória, além de queimadas criminosas. Essas ações vêm causando sérios danos à fauna e à flora de nossos territórios.
Para essas pessoas, muitas vezes a terra possui apenas valor material e econômico. Para nós, povos indígenas, ela possui um valor muito maior: é um valor espiritual, cultural e ancestral. Nossos antepassados viveram, lutaram e estão sepultados nessas terras. A terra, para nós, é nossa mãe, que há muito tempo vem clamando por socorro diante da destruição causada por essas práticas ilegais.
Dessa forma, reafirmamos com clareza: não somos invasores. Somos os verdadeiros donos originários dessas terras, já reconhecidas e regularizadas por meio de ato oficial. Estamos apenas retornando ao que sempre foi nosso por direito, protegendo um território que carrega a história, a memória e a vida do nosso povo, onde muitos de nossos familiares estão sepultados.
Por fim, cobramos responsabilidade para que os fatos sejam devidamente apurados antes da divulgação de informações que possam gerar conflitos, preconceito e desinformação.
Povo Indígena Kanela do Araguaia
Associação APKAAP
-
Cidades6 dias agoPeixe de 1,8 metro pescado no Rio Araguaia não pode ser consumido e deve ser devolvido à água, diz guia
-
Policial2 dias agoGalos escondidos em porta-malas são resgatados pela PRF em fiscalização no Araguaia
-
Acidente2 dias agoTragédia silenciosa: homem morre após queda misteriosa de moto em avenida de Querência
-
Cidades6 dias agoExpedição de jet ski sai de Barra do Garças rumo a Belém com trajeto de 2,5 mil km
-
Policial2 dias agoPolícia mira secretário, servidores e PM por esquema em prefeitura em MT
-
Policial7 dias agoCriminosos investiram cerca de R$ 3 mi em assalto em Confresa, aponta Gerência de Combate ao Crime Organizado
-
Cidades2 dias agoNova Nazaré enfrenta queda significativa na arrecadação; prefeito se pronuncia. VÍDEO
-
Agua Boa2 dias agoIncêndio em residência de Água Boa deixa mãe e dois filhos feridos. Mãe diz que perdeu tudo. (Entrevista)








