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TCE investiga contrato de R$ 36,7 milhões da Prefeitura de Água Boa com instituto

Denúncia aponta terceirização de mão de obra da prefeitura, aditivos no contrato e possível taxa de administração irregular

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O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) recebeu uma denúncia, por meio da Ouvidoria do órgão, contra a Prefeitura de Água Boa referente a um contrato firmado com o Instituto Social e Organizacional do Brasil (ISO Brasil), apontando possíveis irregularidades e um possível prejuízo de R$ 36,7 milhões aos cofres do município.

O contrato refere-se a um ajuste de cooperação para execução de serviços públicos por meio de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que passou a atuar junto ao município para auxiliar na realização de atividades administrativas e operacionais, funcionando como uma espécie de terceirização de mão de obra da prefeitura.

Em decisão publicada nessa quarta-feira (10), o conselheiro Guilherme Maluf determinou a citação do prefeito Mariano Kolankiewicz Filho (MDB) para que apresente, em 15 dias úteis, documentos detalhados do contrato, custos, planos de trabalho e comprovação de que não houve substituição de servidores públicos com a contratação.

“Determino, que o Sr. Mariano Kolankiewicz Filho encaminhe a este Tribunal o plano de trabalho original, acompanhado da discriminação detalhada das despesas, da composição dos valores cobrados a título de custos operacionais e administrativos, inclusive de eventual percentual fixado como taxa de administração e da forma de pagamento prevista no ajuste e dos respectivos comprovantes de execução financeira, além de documentos hábeis para demonstrar que os profissionais contratados não estão em substituição direta de cargos e funções da estrutura administrativa permanente do Município”, diz trecho da decisão.

Na denúncia, foi alegado que o contrato com o instituto, inicialmente estimado em cerca de R$ 29.719.133,61, teria sofrido diversos aditivos que elevaram seu valor para R$ 36.765.907,23.

Também foi apontado que teria ocorrido uma “transfiguração do objeto” do contrato, com a inclusão posterior de secretarias não previstas originalmente, como a Secretaria Municipal de Planejamento, além da alteração de cláusulas que substituíram a menção específica à Secretaria de Saúde por “secretaria demandante”, o que, segundo o denunciante, ampliaria indevidamente o alcance do contrato.

Outra alegação foi a de que o modelo de parceria estaria sendo utilizado para contratar profissionais para funções típicas e permanentes da administração pública, como auxiliares administrativos, motoristas, mestres de obras e encanadores, o que configuraria terceirização ilegal e tentativa de evitar a realização de concurso público.

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Também foi relatada a existência de uma possível “taxa de administração” de até 15% sobre os valores repassados, estimada em cerca de R$ 281 mil mensais, além de suposta omissão da prefeitura em fornecer documentos, por meio da Lei de Acesso à Informação, sobre os aditivos.

O denunciante pediu ao TCE tanto o recebimento da denúncia quanto a concessão de tutela provisória de urgência para suspender os efeitos de um aditivo contratual e o pagamento da taxa administrativa de 15%, bem como a realização de auditoria e inspeção para apuração das supostas ilegalidades.

Ao receber a denúncia, o TCE encaminhou os autos à Secretaria de Controle Externo (Secex), que identificou indícios de irregularidades, destacando dois principais achados: a cobrança indevida de taxa de administração sobre recursos do termo de parceria e a possível substituição irregular de cargos públicos permanentes por mão de obra vinculada à Oscip. Segundo a área técnica, os contratos poderiam representar cerca de 60% da força de trabalho em comparação com o número de servidores efetivos.

A defesa do prefeito de Água Boa, Mariano Kolankiewicz Filho, afirmou que não há taxa de administração, mas sim ressarcimento de custos operacionais devidamente detalhados, e que não houve terceirização ilícita, apenas atuação complementar da entidade para reforço dos serviços públicos, sem substituição de servidores.

O conselheiro relator, após analisar o caso, decidiu admitir a denúncia, reconhecendo que há indícios suficientes para investigação. No entanto, indeferiu o pedido de tutela de urgência e não suspendeu imediatamente o contrato nem os pagamentos, por entender que ainda é necessária uma apuração técnica mais aprofundada e que não ficou demonstrado risco imediato de dano irreversível ao erário.

“Em juízo de cognição sumária, entendo que os elementos constantes nos autos não se mostram suficientemente robustos para autorizar a concessão da tutela provisória de urgência pretendida. Isso porque a controvérsia central dos autos demanda dilação probatória mais aprofundada”, disse Guilherme Maluf.

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“Além disso, não verifico, ao menos neste momento, o periculum in mora, visto que não houve efetiva demonstração de risco de dano irreversível ou de ineficácia do provimento final capaz de justificar a imediata suspensão do Termo de Parceria”, acrescentou.

Também considerou que a suspensão imediata poderia prejudicar a continuidade dos serviços públicos, configurando risco inverso.

“Ao contrário, a concessão da medida cautelar pleiteada poderá ensejar risco de prejuízo à continuidade das atividades administrativas e operacionais atualmente vinculadas à execução da parceria, especialmente em áreas relacionadas à prestação de serviços públicos municipais, configurando, em tese, hipótese de periculum in mora reverso”, destacou.

O OUTRO LADO.

O jornalismo do procurou a Prefeitura Municipal de Água Boa para obter informações, a qual se manifestou através de uma nota.

NOTA À IMPRENSA

A Prefeitura Municipal de Água Boa informa que tomou conhecimento da decisão proferida pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso referente ao Termo de Parceria firmado com a OSCIP ISO BRASIL.
O Município recebe com serenidade a decisão do Conselheiro Relator, que, de forma acertada, indeferiu o pedido de medida cautelar formulado pelo denunciante, reconhecendo a necessidade de aprofundamento da instrução processual antes de qualquer conclusão acerca dos fatos apresentados.
A Administração Municipal esclarece que o processo se encontra em fase de levantamento e organização da documentação solicitada pelo Tribunal de Contas, a qual será integralmente encaminhada dentro do prazo estabelecido pelo órgão de controle.
Reitera-se que a Prefeitura de Água Boa sempre pautou suas contratações pelos princípios da legalidade, transparência, eficiência e economicidade, mantendo permanente respeito às instituições de controle e total disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Por fim, o Município reafirma sua confiança no trabalho técnico desenvolvido pelo Tribunal de Contas e permanece à disposição para colaborar integralmente com a instrução do processo, certo de que os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da tramitação regular dos autos.
Prefeitura Municipal de Água Boa

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De Confresa, Cuiabá e Juína para a esperança: animais ameaçados ganham nova chance em santuário de MG

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Dois macacos-barrigudos, espécie considerada vulnerável à extinção, começaram a ser transferidos de Mato Grosso para o Santuário Onça Pintada, em Curvelo (MG). Segundo Secretaria Estadual de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), também serão levados ao novo lar nove jacarés-do-Pantanal albinos e um tamanduá-mirim.

Segundo a Sema, o objetivo é ajudar na conservação dessas espécies e em programas de reprodução e reintrodução na natureza.

A transferência dos animais é feita em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A secretaria informou que todos os animais passaram por avaliação clínica antes da viagem. Os bichos enviados ao Santuário foram resgatados em diferentes cidades de Mato Grosso, como Juína, Confresa e Cuiabá.

A Sema também informou que participa de Planos de Ação Nacional (PAN) voltados à preservação de espécies ameaçadas de extinção, como onças-pintadas, primatas amazônicos e animais do Cerrado e Pantanal.

Macacos-barrigudos

Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a espécie é encontrada nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia. Por causa do desmatamento, da caça e da perda de habitat, o animal foi classificado como vulnerável à extinção.

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A ameaça de extinção pode fazer com que a população da espécie caia pelo menos 30% em 45 anos. Entre os principais fatores estão a destruição de florestas, a expansão de obras e atividades econômicas e a baixa taxa de reprodução do animal, que demora para atingir a maturidade sexual e tem poucos filhotes.

O macaco-barrigudo se alimenta principalmente de frutas, mas também come folhas, flores, insetos e pequenos animais. Por espalhar sementes nas florestas, a espécie tem papel importante na manutenção do ecossistema amazônico.

A espécie vive principalmente em florestas primárias de terra firme, mas algumas subespécies conseguem sobreviver em áreas alteradas ou fragmentadas. Já outras dependem de florestas preservadas e têm pouca resistência às mudanças no ambiente.

Tamanduá-mirim

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também diz que o tamanduá-mirim sofre ameaças como desmatamento, incêndios, expansão da agropecuária, atropelamentos, caça e ataques de cães domésticos. Em algumas regiões, o animal também é caçado para consumo e mantido como animal de estimação.

A perda de habitat tem aumentado nos últimos anos, principalmente na Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. O avanço das queimadas e o isolamento das populações também podem causar impactos graves para a espécie no futuro.

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Estudos mostram que os atropelamentos estão entre as principais causas de morte da espécie. Além disso, cães domésticos representam uma ameaça crescente. Em áreas rurais do Cerrado, o tamanduá-mirim foi apontado como uma das espécies mais atacadas por cães.

Pesquisadores do Instituto também estudam a possibilidade de que agrotóxicos possam afetar a saúde e a reprodução da espécie, mas ainda faltam estudos sobre os impactos. A ausência de dados sobre população e reprodução dificulta entender o tamanho real das ameaças ao animal.

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