SEM SINAIS DE LEGÍTIMA DEFESAdefesa
Policial matou enteado com tiro na cabeça a queima roupa
Durante a ação, dois disparos de uma arma de fogo foram feitos na direção de Atlas, um o atingiu na cabeça e causou a morte.
/ GD
O delegado Nilson Farias, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, afirmou não ter encontrado sinais de legítima defesa na conduta do policial penal Emerson Geremias, 50, que matou seu enteado Átila Yuri dos Santos, 21. Diante do cenário, decidiu manter o agente preso.
O caso foi registrado na manhã de quarta-feira (10), em uma região de chácaras no Coxipó do Ouro, em Cuiabá. Ao todo, foram feitos dois disparos, sendo que o primeiro não atingiu a vítima e o segundo, que teria sido feito à queima-roupa, acertou o rosto da vítima.
“O disparo foi muito próximo, dá para ver pela zona de chamuscamento, a zona de tatuagem. E a faca estava longe do corpo, então, pela análise preliminar do local, não foi possível identificar uma legítima defesa ou uma luta corporal. Então, por esse motivo, eu, como autoridade policial, optei por fazer o auto de prisão em flagrante”, explicou o delegado em conversa com a imprensa.
De acordo com o boletim de ocorrência, Atlas estava com a mãe na chácara quando o seu padrasto apareceu no local para buscar a esposa. No entanto, ao se aproximar do jovem, o policial foi abordado com uma faca e eles entraram em uma luta corporal.
Durante a ação, dois disparos de uma arma de fogo foram feitos na direção de Atlas, um o atingiu na cabeça e causou a morte.
“O disparo poderia ter sido feito em outra região, creio eu, poderia não ter deixado [a vítima] se aproximar, mas acabou efetuando mais de um disparo, sendo um na face. A meu ver, a conduta foi gravosa e merece sim ser analisada na base de inquérito como um auto de prisão em flagrante”, acrescentou.
Relação conflituosa
Conforme apurado pela Polícia Civil, padrasto e enteado não se davam bem. Na noite dessa terça (09), Átila chegou a danificar a moto da mãe, causando mais um desentendimento entre eles. Na manhã desta quarta, a mãe da vítima tentou impedir que os dois se encontrassem, mas não conseguiu.
O delegado negou que Átila tivesse qualquer tipo de transtorno psiquiátrico, apontando apenas que ele possuía problemas com álcool. Inicialmente houve a alegação de que a vítima estava em surto psiquiátrico.
Ele destacou, ainda, que acredita que a arma usada no crime foi recolhida pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), especialmente pela suspeita de que seja a arma funcional do policial penal, uma pistola nove milímetros.
Policial
Polícia mira grupo que usava mulheres para transportar drogas entre estados e presídios em MT
Operação Valquíria cumpre 27 ordens judiciais e investiga facção que mantinha atuação criminosa mesmo com integrantes presos.
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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (11), a Operação Valquíria, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada no tráfico interestadual de drogas e na utilização de mulheres para o transporte de entorpecentes entre estados e para o interior de unidades prisionais.
Ao todo, estão sendo cumpridas 27 ordens judiciais, sendo nove mandados de prisão preventiva, nove mandados de busca e apreensão domiciliar e nove bloqueios de contas bancárias, limitados ao valor de R$ 500 mil por investigado.
As medidas cautelares foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop, com parecer favorável do Ministério Público, com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc).
Os mandados são cumpridos simultaneamente em Cuiabá, Várzea Grande e Campo Novo do Parecis, além de unidades do sistema prisional mato-grossense, onde parte dos investigados já se encontra custodiada. Segundo a Polícia Civil, mesmo presos, integrantes da facção continuavam exercendo funções de comando e coordenação das atividades criminosas.
De acordo com as investigações, o grupo possuía uma estrutura organizada voltada ao tráfico de drogas, utilizando mulheres recrutadas para realizar viagens interestaduais transportando entorpecentes. Elas também eram responsáveis por repassar dinheiro, recrutar novas integrantes e executar tarefas logísticas consideradas essenciais para a manutenção das atividades ilícitas.
Assessoria/PJC-MT
A apuração revelou ainda que a organização promovia o ingresso de drogas em estabelecimentos prisionais e mantinha a comunicação entre integrantes presos e aqueles que atuavam em liberdade.
Conforme a Denarc, lideranças da facção determinavam e coordenavam as ações criminosas de dentro das unidades prisionais, utilizando aparelhos celulares e intermediários para manter ativa a cadeia de comando.
Origem do nome
O nome Valquíria faz referência às figuras femininas da mitologia nórdica encarregadas de cumprir missões e fazer a ligação entre diferentes mundos. Segundo a Polícia Civil, a denominação foi escolhida porque as mulheres investigadas atuavam como elo entre criminosos presos e membros em liberdade, transportando drogas, valores e informações para garantir a continuidade do esquema.
A operação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026 e faz parte da Operação Pharus, desenvolvida dentro do programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento das facções criminosas em todo o Estado.
As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos e aprofundar o mapeamento da atuação da organização criminosa.
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