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INDEFINIÇÃO TERRITORIAL

STF agenda para 21 de maio audiência sobre divisa entre MT e PA; deputado Nininho confirma encontro preparatório com prefeitos

Reunião convocada por Flávio Dino será precedida por encontro no 12 de maio, em Cuiabá, com prefeitos e lideranças do Norte de Mato Grosso; moradores do sul paraense dependem de serviços públicos de Paranaíta e Alta Floresta.

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 / Assessoria

A indefinição das divisas entre Mato Grosso e o Pará caminha para um desfecho consensual na Suprema Corte. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, agendou para o dia 21 de maio, em Brasília, uma audiência de conciliação destinada a repactuar os limites geográficos entre os dois Estados. A decisão foi confirmada nesta quarta-feira (15/4), em Cuiabá, pelo deputado estadual Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos) e pelo procurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Bruno Cardoso. O parlamentar lidera uma ofensiva para ajustar a linha divisória à realidade socioeconômica de regiões onde o agronegócio e a prestação de serviços essenciais estão intrinsecamente ligados a Mato Grosso.

O impasse jurídico-territorial afeta o cotidiano de quem vive no extremo sul do Pará, mas que depende dos municípios de Alta Floresta e Paranaíta. Por barreiras geográficas, esses moradores estão isolados dos centros administrativos paraenses e recorrem exclusivamente à infraestrutura mato-grossense para saúde, educação e comércio. No entanto, o vácuo legal impede que as prefeituras de Mato Grosso realizem obras de infraestrutura, como pontes e estradas, sob risco de improbidade administrativa.

ESTRATÉGIA

Antes do encontro na capital federal, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) servirá de palco para uma etapa preparatória. No dia 12 de maio, lideranças regionais e prefeitos se reunirão em Cuiabá para traçar a estratégia que será levada ao tribunal. O foco da discussão é o Salto das Sete Quedas e a linha que divide Jacareacanga e Paranaíta, além de Alta Floresta e Novo Progresso.

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A tese defendida por Mato Grosso aponta um “erro de fato” em decisões anteriores, que teriam transferido ao Pará uma faixa de terra de 140 quilômetros. O objetivo é subsidiar o STF com dados reais sobre o atendimento público prestado por Mato Grosso em solo que hoje pertence ao Pará. Para os articuladores, a união entre os poderes é o que garantirá um acordo antes do julgamento final da Ação Rescisória 2.964.

MOBILIZAÇÃO

A confirmação da audiência do dia 21 de maio, em Brasília, ocorre após uma reunião no STF com uma comitiva mato-grossense. Além de Nininho, participaram os prefeitos de Alta Floresta, Chico Gamba, e de Paranaíta, Osmar Mandacaru, o procurador da Assembleia Legislativa, Bruno Cardoso, o procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, o procurador de Mato Grosso em Brasília, Daniel Gomes, o deputado federal Fábio Garcia, a deputada Janaina Riva e os senadores Jayme Campos, Wellington Fagundes e Carlos Fávaro.

“Levamos ao STF a preocupação dos municípios afetados pela indefinição territorial. Pedimos a reabertura do diálogo institucional, com a criação de uma mesa técnica envolvendo Estados e municípios”, afirma o deputado Nininho. O parlamentar acrescenta que o compromisso firmado pelo ministro Flávio Dino em convocar o governo do Pará é um passo decisivo para a segurança jurídica de produtores e famílias da região.

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REALIDADE NA DIVISA

O deputado Nininho explica que a disputa no Sul do Pará envolve trechos localizados entre municípios como Jacareacanga e Paranaíta, além de Alta Floresta e Novo Progresso. Na prática, famílias que vivem nessas áreas recorrem a escolas, unidades de saúde e outros serviços mantidos por prefeituras mato-grossenses, devido à proximidade geográfica.

O deslocamento até sedes municipais no Pará pode ultrapassar centenas de quilômetros, enquanto o acesso a cidades de Mato Grosso ocorre em distâncias muito menores. Esse cenário criou uma dependência estrutural que, segundo gestores locais, não é acompanhada por segurança jurídica para investimentos.

“Os municípios atendem essas comunidades, mas enfrentam limitações legais para realizar obras e ampliar a infraestrutura. Isso trava o desenvolvimento e penaliza quem mais precisa”, informa Nininho. “Estamos tratando de uma situação que impacta a vida das pessoas todos os dias. A audiência é uma oportunidade de construir uma solução equilibrada, com base na realidade daquela região”, acrescenta o deputado.

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Política

Professor Sivirino e Eliane Xunakalo são empossados deputados na ALMT

Parlamentares destacaram a trajetória do vice-prefeito de Barra do Garças e marco histórico com posse da primeira deputada indígena em Mato Grosso.

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A sessão ordinária desta quarta-feira (15), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foi marcada pela posse de suplentes e por discursos que ressaltaram a importância da representatividade e do compromisso com pautas sociais. Ao todo, dois suplentes assumiram cadeiras durante a segunda sessão do dia.

Tomou posse o suplente Sivirino Souza dos Santos, conhecido como Professor Sivirino (PSD), que passa a ocupar, por 30 dias, a vaga do deputado Wilson Santos (PSD). Professor e vice-prefeito de Barra do Garças, ele tem forte atuação na região do Araguaia, com destaque para projetos sociais voltados à juventude.

Durante seu pronunciamento, Sivirino destacou o sentimento de gratidão pela oportunidade de representar a população.

“Hoje, para mim, é um dia de gratidão e celebração. São 30 dias que estarei aqui, tendo a honra de caminhar por esta Casa, representando o povo. Faço um agradecimento especial ao deputado Wilson Santos, pela oportunidade, pelo respeito e pela confiança. Como eu disse pessoalmente: o senhor me ajudou, e seria justo que eu também tivesse essa oportunidade de contribuir e deixar meu nome registrado nesta Casa”, disse Santos.

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O deputado Beto Dois a Um deu as boas-vindas e destacou a trajetória de Sivirino, associada à transformação social por meio do esporte e da política. “Hoje toma posse nessa Casa nosso grande amigo, professor Sivirino, um homem que dedicou sua vida a transformar a vida das pessoas, seja através do esporte, seja através da política”, afirmou.

Marco histórico com representatividade indígena

A sessão também entrou para a história com a posse da suplente Eliane Xunakalo (PT), a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira na ALMT. Integrante do povo Kurâ-Bakairi, da Terra Indígena Santana, em Nobres, ela assume por 30 dias a vaga do deputado Lúdio Cabral (PT).

A posse foi destacada pelos parlamentares que deram as boas-vindas a Xunakalo, ressaltando o caráter histórico do momento para o Parlamento mato-grossense.

Em seu discurso, a nova deputada enfatizou a importância da representatividade indígena e o significado coletivo de sua chegada ao Legislativo. “Estou muito feliz por estar aqui realizando um sonho dos meus ancestrais e dos povos indígenas. Isso representa visibilidade e mostra que nós podemos ocupar esses espaços e fazer política com coletividade”, afirmou.

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A parlamentar destacou que assume o mandato levando consigo as demandas dos povos originários. “É a primeira vez que uma pessoa indígena ocupa essa Casa. Eu trago esperança e, principalmente, as vozes de quem muitas vezes não é ouvido”, disse.

Ela também ressaltou a responsabilidade do cargo e a expectativa das comunidades indígenas. “A responsabilidade é enorme, porque os povos indígenas esperam que eu traga resultados, que eu consiga, mesmo em pouco tempo, promover mudanças e contribuir para transformar a visão da sociedade sobre os povos indígenas”, pontuou.

Entre as prioridades, Xunakalo destacou a defesa dos territórios indígenas e o fortalecimento do diálogo. “Precisamos falar sobre território com quem vive nele. Não dá para discutir sem ouvir os povos indígenas. Estamos falando da nossa casa”, afirmou.

E defendeu o papel das terras indígenas na preservação ambiental. “Onde tem água limpa? Onde há preservação? Nos territórios indígenas! Nós sabemos fazer manejo sustentável e produzimos vida”, completou.

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