SAFRA DE MILHO
Além da elevação dos custos, o planejamento da próxima safra exige atenção aos possíveis reflexos do fenômeno El Niño Foto: Assessoria
Custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare em maio deste ano, uma alta de 14,46% em relação ao consolidado da safra 25/26
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A colheita do milho segunda safra 2025/26 em Mato Grosso avançou para 11,29% da área estimada na segunda semana de junho. Os dados, divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), representam um avanço de mais de 5 pontos percentuais (p.p.) em relação à semana anterior e supera o registrado no mesmo período da safra 24/25, quando os trabalhos alcançavam cerca de 7% da área cultivada. Além disso, o índice atual se aproxima da média dos últimos cinco anos no estado.
Segundo dados do novo boletim do Imea, a área destinada ao cultivo do cereal à atual safra foi mantida em 7,39 milhões de hectares. Com a revisão de junho, a produtividade média está estimada em 120,28 sacas por hectare, enquanto a produção total deve alcançar 53,35 milhões de toneladas.
Para a analista de agricultura do Imea, Milena Bezerra, o ritmo dos trabalhos está alinhado ao histórico recente do estado e pode ganhar ainda mais velocidade caso as condições climáticas permaneçam favoráveis.
“A colheita do milho em Mato Grosso segue avançando, atingindo 11,29% da área total até a última sexta-feira, 12 de junho. Esse ritmo representa um avanço de pouco mais de 5 p.p. em relação à semana anterior e supera o desempenho da safra 2024/25, situando-se próximo à média dos últimos cinco anos para o estado. Caso as condições climáticas continuem favoráveis, os trabalhos de campo devem ganhar um ritmo ainda mais acelerado nas próximas semanas, consolidando um cenário de boa produtividade”, diz.
Enquanto a safra atual avança no campo, os produtores já acompanham os custos para o próximo ciclo produtivo. De acordo com levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA), desenvolvido pelo Senar MT por meio do Imea, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare em maio deste ano, uma alta de 14,46% em relação ao consolidado da safra 25/26.
O Custo Operacional Efetivo (COE) foi projetado em R$ 5.528,49 por hectare, aumento de 15,03% na comparação anual. Para cobrir o COE, considerando a produtividade projetada de 120,28 sacas por hectare, o produtor precisa comercializar o milho a pelo menos R$ 45,96 por saca.
Já em relação ao Custo Total (CT) no estado, este está estimado em R$ 7.418,49 por hectare, representando um aumento de 10,30% frente à temporada anterior.
De acordo com Milena, além da elevação dos custos, o planejamento da próxima safra exige atenção aos possíveis reflexos do fenômeno El Niño sobre o calendário de plantio.
“Em relação à safra 26/27, o cenário exige cautela devido ao impacto secundário do El Niño. Diferente da soja, onde o impacto é direto, no milho o fenômeno afeta a cultura de primeira safra, podendo comprometer a janela de plantio da segunda safra de milho. Somado a isso, o custo de produção apresentou alta, com o custeio estimado em maio atingindo R$ 3.800 por hectare”, explica.
Agricultura
Mais de um terço da produção brasileira está garantida em Mato Grosso
Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram que neste ciclo Mato Grosso deve colher cerca de 111,1 milhões de toneladas (t)
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Dados do 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram que neste ciclo Mato Grosso deve colher cerca de 111,1 milhões de toneladas (t), volume que se confirmado, será 0,9% inferior à temporada passada quando o saldo foi recorde em 112,39 milhões t. Mesmo com leve recuo anual, o estado será responsável por 31% da produção brasileira, que neste ano, é estimada como recorde.
A diferença anual da safra mato-grossense se explica no recuo de dois dos três principais cultivos em 2025/26: algodão em pluma -4,6% e milho segunda safra -1,7%. Somente a soja, com os resultados já consolidados – a colheita terminou no início de abril – surge positiva, com alta de 0,6% entre as safras.
Ainda segundo os dados da Companhia, Mato Gross segue pelo 14º consecutivo como o maior produtor nacional de grãos e algodão.
Conforme o 9º Levantamento da Safra, Mato Grosso colheu 51,62 milhões t de soja nessa safra, o que garantiu saldo positivo de 0,6% em relação ao ano passado.
No milho safrinha, cuja colheita começou em meados de maio, a projeção é uma oferta de 53,98 milhões t, 1,7% abaixo do recorde do ano passado: 54,92 milhões t.
Também cultura de segunda safra em Mato Grosso, o algodão tem a maior queda anual projetada pela Conab. No comparativo a oferta de pluma deve encolher 4,6%, com a produção passando de 2,85 milhões t para 2,72 milhões t na safra 2025/26.
BRASIL – O Brasil deve colher 358,6 milhões t de grãos na safra 2025/26. A nova estimativa da Conab aponta para novo recorde de produção, podendo registrar uma alta de 1,8% em relação ao resultado obtido no ciclo anterior, ou seja, um acréscimo de 6,4 milhões t a serem colhidas neste ciclo. Ainda de acordo com o documento, esse resultado é justificado pelo aumento na área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, aliado às condições climáticas favoráveis, que deve refletir em uma boa produtividade média nacional prevista em 4.295 quilos por hectare.
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