ELEIÇÕES 2026
“A culpa do Araguaia não ter representante é somente nossa”, diz Fernando Gorgen
Segundo o pré-candidato, a fragmentação dos votos nas eleições contribui diretamente para a falta de representantes locais.
/ Semana 7
Durante entrevista ao Podcast Semana7, o pré-candidato e ex-prefeito de Querência por quatro mandatos, Fernando Gorgen (Podemos), fez duras críticas à ausência de representatividade política na região do Araguaia, no leste de Mato Grosso, que abrange mais de 30 municípios.
Ao comentar o histórico da região, Gorgen relembrou expressões frequentemente utilizadas ao longo dos anos, como “Vale dos Esquecidos” e “Vale Abandonado”, associadas à carência de investimentos públicos. No entanto, ele afirmou que a responsabilidade por essa situação não deve ser atribuída a fatores externos. “A culpa do Araguaia não ter representante é somente nossa”, declarou.
Segundo o pré-candidato, a fragmentação dos votos nas eleições contribui diretamente para a falta de representantes locais. Ele citou como exemplo o pleito de 2022, quando aproximadamente 120 candidatos a deputado estadual e cerca de 90 a deputado federal receberam votos apenas no município de Querência.
Gorgen também fez uma comparação histórica, destacando que, quando chegou ao estado em 1996, o município de Barra do Garças possuía maior influência política e contava com representantes ativos, cenário que, segundo ele, não se mantém atualmente.
Apesar das críticas, o pré-candidato reconheceu avanços recentes promovidos pelo governo estadual, ressaltando a presença de obras em todos os municípios de Mato Grosso. Ainda assim, avaliou que os investimentos no Araguaia são inferiores quando comparados a outras regiões, como o chamado “Nortão”.
Entre os exemplos citados, Gorgen mencionou melhorias na infraestrutura rodoviária, como a pavimentação de trechos das rodovias MT-109 e MT-243 em Querência, além de projetos que visam integrar municípios como Canarana e Água Boa. Ele também destacou planos para ampliar a ligação até distritos da região, como o Espigão do Leste, em São Felix do Araguaia.
Por fim, o pré-candidato comparou os investimentos realizados no Araguaia com os destinados à BR-163, no norte do estado. Segundo ele, enquanto há diversas obras espalhadas pela região do Araguaia, o montante aplicado em uma única rodovia no Nortão ultrapassa R$ 7 bilhões, evidenciando, em sua visão, a disparidade entre as regiões.
Política
Nininho convoca audiência pública na ALMT para alinhar estratégia sobre divisa entre MT e PA
Encontro no dia 12 de maio reúne prefeitos e lideranças antes de audiência de conciliação no STF, marcada pelo ministro Flávio Dino para o dia 21 maio, em Brasília.
/ Assessoria
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realiza no próximo dia 12 de maio, às 9h, uma audiência pública no Auditório Milton Figueiredo para discutir a disputa territorial entre Mato Grosso e Pará. Convocado pelo deputado estadual Ondanir Bortolini – Nininho (Republicanos), o encontro tem como objetivo consolidar uma estratégia entre deputados, prefeitos e lideranças regionais antes da audiência de conciliação marcada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o dia 21 de maio, em Brasília.
A iniciativa ocorre em um momento considerado decisivo para o impasse, que afeta diretamente moradores de áreas localizadas no extremo sul do Pará, mas com forte dependência dos serviços públicos ofertados por municípios mato-grossenses. A audiência pública deve reunir gestores de cidades como Alta Floresta e Paranaíta, além de representantes de órgãos estaduais e técnicos envolvidos na questão.
ARTICULAÇÃO PRÉVIA
De acordo com Nininho, a reunião na ALMT será fundamental para alinhar informações e fortalecer a posição de Mato Grosso na audiência de conciliação no STF. “Levamos ao Supremo a preocupação dos municípios afetados pela indefinição territorial. Agora, precisamos chegar à audiência com uma proposta bem estruturada, baseada em dados concretos e na realidade das pessoas que vivem na região”, relata o parlamentar.
A ênfase do debate será a área que envolve o Salto das Sete Quedas e trechos entre municípios como Jacareacanga e Paranaíta, além de Alta Floresta e Novo Progresso. A tese defendida por Mato Grosso aponta um erro em decisões anteriores que teriam deslocado cerca de 140 quilômetros de território para o Pará.
IMPACTO NA POPULAÇÃO
A indefinição territorial gera efeitos práticos no cotidiano de famílias que vivem nessas áreas. Isoladas dos centros administrativos paraenses por barreiras geográficas, essas comunidades dependem quase exclusivamente da estrutura de Mato Grosso para acesso à saúde, educação e comércio.
Apesar disso, a ausência de segurança jurídica impede que prefeituras mato-grossenses realizem investimentos em infraestrutura, como construção de pontes e estradas. “Os municípios atendem essas comunidades, mas enfrentam limitações legais para realizar obras e ampliar a infraestrutura. Isso trava o desenvolvimento e penaliza quem mais precisa”, avalia Nininho.
Segundo o deputado, o deslocamento até cidades do Pará pode ultrapassar centenas de quilômetros, enquanto o acesso a municípios de Mato Grosso ocorre em distâncias significativamente menores. “Esse cenário consolidou uma relação de dependência que, até hoje, não foi acompanhada por uma definição legal clara”, diz Nininho.
EXPECTATIVA DE CONSENSO
A audiência no STF foi agendada pelo ministro Flávio Dino após articulação de uma comitiva mato-grossense formada por Nininho, deputados estaduais, deputados federais, senadores, prefeitos e representantes jurídicos de Mato Grosso. A proposta é construir uma solução consensual antes do julgamento definitivo da ação que trata do tema.
Para Nininho, a expectativa é de avanço a favor de Mato Grosso. “Estamos tratando de uma situação que impacta a vida das pessoas todos os dias. A audiência é uma oportunidade de construir uma solução equilibrada, com base na realidade daquela região”, comenta o deputado.
A audiência pública na ALMT, na avaliação de Nininho, surge como etapa importante para consolidar informações técnicas e políticas, além de reforçar a união entre os poderes e os municípios diretamente afetados. “Acredito que o encontro em Cuiabá vai contribuir para um posicionamento mais consistente de Mato Grosso na negociação do dia 21 de maio em Brasília”, pontua.
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