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FACÇÕES

Estudo aponta avanço de facções em 92 cidades de MT e coloca discurso de governador sob pressão

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O recente endurecimento do discurso do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) sobre o combate às facções criminosas reacendeu o debate sobre a situação da segurança pública em Mato Grosso. Vice-governador nos últimos oito anos e agora pré-candidato ao Governo do Estado, Pivetta afirmou, durante a posse de novos policiais civis na última sexta-feira (24), que o enfrentamento às organizações criminosas continuará “avançando com força” e declarou que “não há falta do Estado neste quesito”, garantindo que não permitirá a atuação das facções no território mato-grossense.

Entretanto, estudos recentes traçam um cenário que levanta questionamentos sobre a efetividade das políticas adotadas até aqui. O avanço das organizações criminosas em Mato Grosso voltou a acender o alerta sobre a capacidade do Estado em conter a expansão das facções e garantir a presença efetiva das forças de segurança em todas as regiões.

A nova edição do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, elaborada pelo Instituto Mãe Crioula em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela um cenário preocupante. Segundo o levantamento, 92 dos 142 municípios de Mato Grosso (65,2%) já estão sob domínio ou disputa de facções criminosas, colocando o Estado como o que possui o maior número absoluto de cidades controladas ou disputadas por organizações criminosas na Amazônia Legal.

O estudo identificou a atuação de grupos como o Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), Tropa Castelar e Bonde dos 40 (B40), demonstrando que a presença das facções deixou de ser um problema restrito às regiões de fronteira e passou a atingir municípios de diferentes características econômicas e sociais.

O levantamento aponta que o Comando Vermelho está presente em 85 municípios, sendo a única organização criminosa atuante em 71 deles. Já o PCC foi identificado em 14 cidades, enquanto a Tropa Castelar atua em cinco municípios e o Bonde dos 40 já possui registros em três cidades mato-grossenses.

O caso de Cáceres chama atenção por concentrar a atuação simultânea de três facções criminosas. De acordo com o estudo, a localização estratégica na fronteira com a Bolívia favorece o tráfico internacional de drogas e amplia a disputa entre organizações criminosas.

Os pesquisadores também destacam que o fortalecimento das facções ocorre tanto em municípios fronteiriços quanto em regiões marcadas por conflitos fundiários, expansão agropecuária, garimpo ilegal e baixa presença do poder público, fatores que criam um ambiente propício para a consolidação dessas organizações.

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Diante desse cenário, cresce o questionamento sobre a efetividade das políticas públicas de segurança adotadas pelo Estado. Embora o governo sustente que vem intensificando o enfrentamento ao crime organizado, os dados indicam que as organizações criminosas continuam expandindo sua área de influência, levantando dúvidas sobre a capacidade das ações atuais de conter esse avanço de forma estrutural.

Outro ponto que amplia essa preocupação é a defasagem no efetivo das forças de segurança. Enquanto centenas de policiais militares e civis deixaram as corporações por aposentadoria, falecimento ou outros desligamentos ao longo dos últimos anos, a recomposição dos quadros não acompanhou esse ritmo. Paralelamente, candidatos aprovados em concursos públicos seguem aguardando convocação, mesmo diante da necessidade crescente de reforço nas instituições.

A insuficiência de efetivo impacta diretamente a capacidade operacional das polícias, reduzindo o policiamento ostensivo, sobrecarregando equipes de investigação e dificultando a presença permanente do Estado em municípios onde as facções ampliam sua atuação.

Os dados ajudam a explicar por que o avanço das organizações criminosas permanece como um dos principais desafios da segurança pública em Mato Grosso. Especialistas defendem que o enfrentamento ao crime exige mais do que operações pontuais, sendo necessária uma política permanente de fortalecimento institucional, com recomposição do efetivo, investimentos em inteligência, valorização dos profissionais e ampliação da capacidade investigativa.

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O retrato apresentado pelo estudo reforça que Mato Grosso enfrenta um dos maiores desafios de sua história recente na área da segurança pública. A expansão territorial das facções evidencia que a resposta do Estado precisará ir além do discurso, priorizando medidas estruturantes capazes de recuperar a presença do poder público e impedir o avanço contínuo do crime organizado.

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Segurança

Governador Otaviano Pivetta anuncia convocação de 220 aprovados em concurso da PM

Governador também assinou projeto de lei para permitir a promoção de oficiais do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar

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O governador Otaviano Pivetta anunciou, nesta quarta-feira (1º.7), a convocação de 220 aprovados no concurso público da Polícia Militar, zerando a fila de soldados aprovados no certame. O anúncio foi feito durante reunião no Palácio Paiaguás com representantes das forças de segurança, parlamentares e os aprovados, e integra as ações do Governo de Mato Grosso para fortalecer as corporações e valorizar os profissionais da área.

Os novos policiais militares atuarão nos municípios de Confresa, Alta Floresta, Juína e Peixoto de Azevedo. Também serão convocados dois oficiais médicos aprovados no concurso da corporação.

Além das convocações, o governador autorizou a promoção de 18 capitães do Corpo de Bombeiros ao posto de major e de 50 primeiros-sargentos à graduação de subtenente. Na Polícia Militar, ele assinou ainda o projeto de lei que permite a promoção de 45 capitães ao posto de major.

Desde que assumiu o governo, Otaviano Pivetta já convocou 1.013 profissionais para reforçar as forças de segurança. Segundo o governador, as novas medidas reafirmam o compromisso do Estado com a valorização dos servidores e o fortalecimento da Segurança Pública.

“É um gesto do Governo do Estado, mostrando para todos nós que a segurança é prioridade. Estamos valorizando os oficiais, os policiais e os sargentos, mostrando que Mato Grosso é um lugar para crescer, evoluir e prosperar. O serviço público em Mato Grosso tem valor e estamos reafirmando isso com nossas ações”, ressaltou.

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Ele destacou ainda que as convocações seguem a capacidade orçamentária do Estado e o planejamento do Governo, atendendo às necessidades das forças de segurança e da população.

“Essas promoções são fruto do merecimento de vocês. Da mesma forma, estamos defendendo a convocação dos nossos policiais. O nosso dever maior é servir o povo de Mato Grosso, sempre de acordo com as necessidades e prioridades do Estado. Parabéns a todos vocês”, completou.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, ressaltou que o Governo de Mato Grosso tem priorizado o fortalecimento da Segurança Pública e cumprido os compromissos assumidos com os aprovados nos concursos.

“O governador tinha assumido o compromisso de convocar os aprovados até o fim do ano e antecipou esse anúncio. Muitos já não acreditavam mais nisso. Todos os deputados vão apoiar essas medidas porque entendem que não se faz segurança pública sem efetivo motivado, sem gente nas ruas e no interior. Fica o nosso agradecimento por essa sensibilidade”, pontuou.

Representando os aprovados no concurso da Polícia Militar, Anadir Berton comemorou a convocação e destacou a importância do diálogo mantido com o Governo do Estado ao longo do processo.

“Todos que nos ajudaram no diálogo contribuíram para que isso fosse possível. Estamos prontos e preparados para atuar junto ao Governo de Mato Grosso e temos muito orgulho de participar da Polícia Militar. Em nome de todos os aprovados, conseguimos. Nunca perdemos a fé e a esperança de que esse dia chegaria, e ele finalmente chegou”, declarou.

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O capitão George Romeiro, do Corpo de Bombeiros Militar, avaliou que a ampliação das vagas para promoção atende a uma demanda antiga da corporação e representa uma valorização dos militares e de suas famílias.

“Todos os oficiais passaram por um rigoroso processo de avaliação e aguardavam essa oportunidade. A promoção impacta não apenas a vida do militar, mas também da família. Essa valorização jamais será esquecida”, afirmou.

Representando os policiais militares que serão promovidos, a capitã Cláudia Regina destacou que a medida concretiza um sonho aguardado por muitos profissionais.

“Essa promoção é uma conquista profissional e familiar. O senhor está resolvendo um problema histórico e valorizando quem dedica a vida para servir à população. Isso ficará marcado na nossa carreira e nos motiva ainda mais a oferecer o melhor serviço à sociedade”, acrescentou.

Também participaram do anúncio o deputado estadual Elizeu Nascimento; o comandante-geral da Polícia Militar, coronel PM Fernando Tinoco; o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar e o coronel BM Flávio Glêdson.

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