CRIME SEXUAL
Com crise de choro, vítimas de violência sexual pedem socorro durante peça de teatro em MT
– Primeira Página
Uma peça teatral itinerante realizada pelo MPMT (Ministério Público de Mato Grosso) para crianças e adolescentes sobre abuso sexual tem servido para que as vítimas denunciem experiências e peçam socorro.
Na encenação ocorrida em São José do Povo, a 268 km de Cuiabá, cinco meninas tiveram crise de choro durante a apresentação e foram encaminhadas atendimento imediato. Ao serem acolhidas, elas relataram situações de abuso que haviam vivenciado.
A história cuidadosamente escolhida pelo projeto Prevenção Começa na Escola, se chama “Inocente Pétalas Roubadas”, e com uma linguagem que comove ao mesmo tempo que orienta, tem atingido muitas vítimas que precisam ser ouvidas e protegidas pelo Estado.
Desde o dia 19 de fevereiro, já foram realizadas apresentações em 20 municípios e, segundo o MPMT são recebidas, em média, quatro denúncias por apresentação.
Nesta semana (de 11 a 15 de março), a peça passou por Alto Araguaia, Alto Garças, Pedra Preta, São José do Povo e Guiratinga.
Na próxima segunda-feira (18) haverá apresentações em Poxoréu e na terça-feira (19), o encerramento dessa etapa em Primavera do Leste.
Violência latente
A violência sexual infantil é um problema que Mato Grosso tem enfrentado, isso porque o estado teve um aumento de 69% no número de casos de estupro de vulnerável, segundo dados da Sesp-MT (Secretaria Estadual de Segurança Pública).
De janeiro a novembro de 2023, foram registrados 105 casos. No mesmo período de 2022, foram contabilizados 65 estupros.
A iniciativa do MPMT, bem como das delegacias especializadas, é uma alternativa para mitigar esse tipo de violência que as crianças têm sofrido.
Justiça
Pesquisadora cita pressão psicológica e vexatória e aciona Fávaro
Mulher pede R$ 65,6 mil por danos morais; ação judicial consta prints de conversas em grupo de trabalho
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A operadora de telemarketing Patrícia Cristina da Silva entrou com uma ação de indenização por danos morais na Justiça de Mato Grosso contra o senador Carlos Fávaro (PSD), pedindo R$ 65,6 mil. O processo tramita na 4ª Vara Cível de Cuiabá.
Na ação, a mulher alegou que foi contratada para atuar na realização de entrevistas em uma pesquisa de campo, em maio deste ano. Ela afirma que teve a forma de pagamento alterada unilateralmente, além de ter sido submetida a cobranças consideradas vexatórias e a condições inadequadas de trabalho.
Segundo a ação, Patrícia foi contratada com o salário de R$ 1.850, com meta diária de 35 entrevistas em campo. No entanto, segundo ela, após o início dos trabalhos, a remuneração teria sido alterada para pagamento por produção, considerando apenas as pesquisas aceitas, o que, segundo ela, descumpriu o acordo inicialmente firmado.
No documento, a mulher anexou diversos prints de conversas de um grupo de WhatsApp de trabalho que comprovariam, supostamente, assédio moral e pressão psicológica ostensiva por produção de trabalho.
A trabalhadora afirmou que realizou 499 entrevistas durante o período contratado. E que no grupo de WhatsApp, os trabalhadores eram pressionados a enviar fotografias durante o expediente para comprovar a execução das entrevistas, prática que, segundo a ação, expunha os prestadores de serviço a situações de constrangimento e risco.
Também alega que precisou custear a própria água durante a jornada de trabalho por não haver fornecimento de itens básicos.
“Meta batida. Detalhe 1,5 de água não deu nem pra começar. Tivemos que comprar água hj tá muito quente”, disse uma das funcionárias no grupo.
Em outra mensagem, coordenadores orientam os participantes a enviarem fotos constantes das entrevistas e reforçam que “quanto mais produzir, mais vocês terão para receber”.
Além da indenização por danos morais, a pesquisadora requer a concessão dos benefícios da Justiça gratuita e a condenação do réu ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.
A ação está sob o comando da juíza Ana Cristina Silva Mendes. Ela determinou uma audiência de conciliação entre as partes antes de tomar decisão sobre o caso. Ainda determinou a citação de Fávaro para que apresente contestação no prazo legal. Até o momento, não há manifestação da defesa do senador nos autos.
Outro lado
A assessoria jurídica do senador Carlos Fávaro encaminhou nota sobre a ação judicial.
“O senador Carlos Fávaro não tem qualquer relação com o caso narrado. A pesquisa de opinião pública foi contratada pelo Partido Social Democrático (PSD) e executada pela empresa Rumo Pesquisas. Cabe exclusivamente à empresa contratada prestar esclarecimentos sobre as condições de trabalho oferecidas aos pesquisadores, os critérios de remuneração, a coordenação da equipe e qualquer outra questão operacional relativa ao serviço”, disse.
“Atribuir ao senador responsabilidade por condutas de uma empresa terceirizada, sem qualquer prova de participação ou conhecimento dos fatos, é juridicamente infundado”, completou.
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