DESPESAS ELEVADAS
Despesas no país superam a marca de R$ 3 trilhões
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As despesas públicas primárias do Brasil ultrapassaram R$ 3 trilhões entre 1º de janeiro e 15 de julho de 2026. O valor reúne os pagamentos realizados pelo governo federal, estados, Distrito Federal e municípios.
Do total contabilizado, aproximadamente R$ 1,4 trilhão corresponde aos gastos do governo federal. Os municípios desembolsaram mais de R$ 829 bilhões, enquanto as despesas dos estados e do Distrito Federal chegaram a R$ 811 bilhões.
As informações são do portal Brasil 61, com base nos dados da plataforma Gasto Brasil, desenvolvida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
A comparação com o Impostômetro aponta que a arrecadação tributária alcançou cerca de R$ 2,2 trilhões no mesmo período. A diferença entre o montante das despesas monitoradas e a arrecadação indicada pela ferramenta é de R$ 831,8 bilhões.
Marca antecipada
O patamar de R$ 3 trilhões foi atingido aproximadamente 20 dias antes do registrado em 2025. Para o coordenador do Gasto Brasil e consultor da CACB, Cláudio Queiroz, o calendário eleitoral pode ter contribuído para acelerar as despesas públicas.
Segundo Queiroz, o aumento dos gastos em ano eleitoral poderá pressionar as contas públicas do próximo exercício, independentemente do resultado das eleições. A avaliação é que os futuros gestores terão de enfrentar os efeitos das despesas realizadas ao longo de 2026.
Os gastos com Previdência nas três esferas de governo alcançaram R$ 858 bilhões, correspondendo a cerca de 28,6% do total contabilizado. Conforme o levantamento, a concentração das despesas obrigatórias reduz a margem disponível para investimentos e outras políticas públicas.
Monitoramento dos gastos
Criada em 2025, a plataforma Gasto Brasil acompanha as despesas primárias efetivamente pagas pelos governos federal, estaduais, distrital e municipais.
O painel apresenta informações sobre gastos com pessoal, Previdência, encargos sociais e investimentos, incluindo obras, aquisição de imóveis e outras despesas públicas.
A ferramenta não realiza uma avaliação qualitativa dos pagamentos. O objetivo é reunir os dados de maneira acessível e ampliar a transparência das contas públicas, contribuindo para análises fiscais e decisões baseadas em evidências.
Economia
EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; veja itens que serão afetados ou isentos
Carne bovina, café, sucos de laranja, petróleo bruto e aeronaves civis ficaram fora da nova cobrança
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Baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, a nova taxa atinge milhares de produtos brasileiros e deve afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais, segundo levantamento preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A conclusão do processo vem após um ano de negociações entre Brasília e Washington. Como g1 mostrou, o governo brasileiro realizou diversas reuniões com representantes americanos, incluindo encontros nas últimas semanas, mas não conseguiu reverter a aplicação das tarifas.
Apesar do alcance da medida, os principais produtos da pauta de exportação brasileira para os EUA ficaram fora da nova cobrança.
Veja abaixo os principais itens na lista de isenções:
- Carne bovina
- Café
- Laranjas e sucos de laranja
- Petróleo bruto e gás natural
- Aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais
- Produtos farmacêuticos e ingredientes químicos para uso farmacêutico
- Semicondutores e máquinas para sua fabricação
- Peixes e crustáceos
- Certos produtos de madeira tropical
- Mel orgânico
- Ferro-gusa
- Castanhas
- Celulose de madeira
- Pastas químicas de madeira
- Helicópteros
- Motores aeronáuticos e componentes do setor aeronáutico
- Alguns minérios
- Determinados produtos metálicos considerados estratégicos para cadeias produtivas americanas
- Etanol
- Máquinas agrícolas
- Vestuário
- Maquinário elétrico
- Calçados
- Ferramentas de jardinagem
- Equipamentos de mineração
- Papel
- Açúcar orgânico
- Bens de capital
- Manufaturados em geral
- Produtos químicos diversos
- Itens industriais processados
A tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, mas não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos EUA.
Apesar da decisão, o governo americano afirmou que a medida poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas.
A nova cobrança ocorre em um cenário em que parte das exportações brasileiras já estava submetida a outras tarifas impostas pelos EUA, principalmente nos setores de aço e alumínio.
Nova tarifa se soma a medidas anteriores dos EUA
A aplicação da tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros faz parte de uma sequência de medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump desde o início de 2026.
Além da nova tarifa, Washington manteve tarifas específicas para determinados setores com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, principalmente produtos industriais, como itens de ferro e aço, alumínio, cobre, máquinas, equipamentos, autopeças e veículos.
As alíquotas da Seção 232 variam conforme o produto e a classificação tarifária americana. Em alguns casos, produtos de aço, alumínio e cobre chegaram a ter tarifas adicionais de 50%, enquanto outros derivados desses metais estavam sujeitos a cobranças específicas, calculadas conforme o tipo de mercadoria e o conteúdo desses materiais.
A nova tarifa anunciada nesta quarta-feira foi criada no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, utilizada pelos EUA para investigar e responder a práticas comerciais consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses americanos.
Além dessa medida, o governo americano também conduz outra investigação comercial que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
A cobrança, prevista para 60 economias, é justificada pela avaliação de Washington de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa, o que elevaria para 37,5% a tarifa adicional incidente sobre parte das exportações brasileiras aos EUA.
A cobrança final, porém, dependerá das regras definidas pelos EUA para cada classificação tarifária e da existência de exceções ou tratamentos específicos para produtos que já estavam submetidos a outras medidas. Por isso, a aplicação da nova tarifa não representa, necessariamente, uma soma automática das alíquotas já existentes com os 25%.
Antes da nova tarifa de 25%, os produtos brasileiros exportados aos EUA já estavam divididos em diferentes grupos tarifários.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), cerca de 46% das exportações brasileiras não tinham tarifas adicionais, enquanto 25% estavam submetidas à sobretaxa global de 10% aplicada pelos EUA e 29% estavam enquadradas nas tarifas da Seção 232, principalmente nos setores de aço e alumínio.
Decisão amplia tensão comercial entre Brasil e EUA
No caso brasileiro, a investigação comercial envolveu temas como desmatamento ilegal, comércio digital e o sistema de pagamentos instantâneos PIX, que, segundo o governo americano, poderia prejudicar empresas de cartões de crédito.
Ao decidir pela aplicação da nova taxa, o governo Trump alega que tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em reverter as práticas que considera injustas.
Integrantes do governo brasileiro afirmam que três temas concentraram os principais impasses nas tratativas: o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta de moratória de quatro anos para isentar plataformas digitais do pagamento de tributos e multas.
Ouvidos pelo blog do Valdo Cruz antes da publicação da decisão pelo USTR, interlocutores do governo Lula afirmaram que esses pontos apresentados pelos americanos são considerados inegociáveis pelo Brasil. A avaliação também é de que a aplicação da nova tarifa se trata de uma decisão política.
As autoridades americanas, por sua vez, negam que a represália esteja sendo usada com esse objetivo. O governo americano diz que busca reverter práticas comerciais que prejudicam a competitividade dos EUA.
Com a divulgação da decisão, o governo brasileiro vai analisar o teor do anúncio para definir qual será a reação, segundo interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pelo blog do Valdo Cruz.
Entre as possibilidades em discussão estão o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica ou a continuidade das negociações diplomáticas com os americanos.
A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais “injustas”, o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia.
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