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CRISE

Endividamento das famílias brasileiras bate recorde histórico e chega a 81,6%

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O endividamento das famílias atingiu 81,6% em maio deste ano, estabelecendo o maior índice da série histórica. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O indicador apresenta um crescimento de 3,4 pontos percentuais em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando registrava 78,2%. Em relação a abril, a alta foi de 0,7 ponto percentual. O índice abrange dívidas a vencer em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, carnês, empréstimos e prestações.

Acompanhando o recorde de endividamento, a inadimplência subiu para 29,9%, o patamar mais elevado desde novembro passado. Apesar do aumento no volume de dívidas e de atrasos em relação a abril, o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar os débitos permaneceu estável em 12,3%.

Quase todas as faixas de renda registraram alta no endividamento, com exceção do grupo que recebe entre cinco e dez salários mínimos, que apresentou retração.

O período da pesquisa coincide com o lançamento do Novo Desenrola Brasil, ocorrido em 4 de maio. A iniciativa foca na redução do endividamento populacional e já atendeu mais de 1,4 milhão de pessoas na modalidade Famílias.

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Economia

China suspende frigoríficos de Mato Grosso após alerta sanitário

Unidades da JBS, em Pontes e Lacerda, e da Frialto, em Matupá, tiveram exportações interrompidas pelo Governo chinês

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A China suspendeu, temporariamente, as compras de carne bovina de três frigoríficos brasileiros, incluindo duas importantes plantas instaladas em Mato Grosso, maior produtor de carne bovina do país.

A medida atinge unidades da JBS, em Pontes e Lacerda (448 km a Oeste de Cuiabá), e da Frialto, em Matupá (695 km ao Norte), além de uma planta da PrimaFoods, em Minas Gerais.

A suspensão foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que informou que a decisão chinesa tem caráter preventivo e temporário.

Segundo a entidade, foram identificados resíduos considerados incompatíveis com os requisitos sanitários do mercado asiático.

De acordo com a Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), as cargas continham resíduos de acetato de medroxiprogesterona, um hormônio sintético utilizado na medicina veterinária para controle reprodutivo de animais e proibido pelo Governo chinês.

Mato Grosso, líder nacional na produção e exportação de carne bovina, acompanha o caso com preocupação.

O Estado tem forte dependência do mercado externo, especialmente da China, principal compradora da proteína bovina brasileira.

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As duas plantas suspensas têm peso relevante na cadeia pecuária mato-grossense.

A unidade da JBS em Pontes e Lacerda está localizada em uma das principais regiões de pecuária de corte do Estado.

Já a Frialto, em Matupá, atua no Norte mato-grossense, importante polo de expansão agropecuária.

Em nota, a Abiec informou que o objetivo da suspensão é permitir rastreabilidade da matéria-prima e adoção de medidas técnicas corretivas pelas empresas e autoridades brasileiras.

“O tema segue sendo tratado no âmbito técnico entre Brasil e China, com vistas à rápida normalização da situação”, afirmou a entidade.

A restrição ocorre justamente em um momento de intensificação das negociações comerciais entre os dois países.

Nesta semana, representantes do Governo brasileiro estiveram em Pequim, solicitando autorização para habilitação de novas plantas frigoríficas brasileiras para exportação.

Segundo a Abiec, o Brasil pediu a liberação de 20 frigoríficos de carne bovina, 11 unidades de aves e duas de carne suína para ampliar as vendas ao mercado chinês.

Atualmente, 63 frigoríficos brasileiros possuem autorização para exportar carne bovina à China.

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Apesar da suspensão das unidades de Mato Grosso, especialistas avaliam que a medida não deve representar fechamento do mercado chinês ao produto brasileiro, mas sim uma ação sanitária pontual.

O coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank, afirmou que a decisão provavelmente está ligada a questões técnicas específicas.

“Eu tenho certeza de que a China não vai apertar o cerco por razões econômicas. Isso deve ter relação com problemas sanitários que realmente tenham ocorrido”, avaliou.

MAIOR CLIENTE – A China é, atualmente, o principal destino da carne bovina brasileira.

Entre janeiro e abril deste ano, o Brasil exportou mais de 612 mil toneladas de carne bovina in natura para o país asiático, respondendo por quase 57% das importações chinesas do produto.

Os números demonstram a importância estratégica do mercado chinês para Mato Grosso, estado que lidera o rebanho bovino nacional e concentra grande parte da produção exportadora do país.

O setor agora aguarda o desfecho das análises técnicas e a eventual retomada das habilitações das plantas mato-grossenses junto às autoridades chinesas.

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