JANTAR EM NOVA YORK
Deputado atenua encontro, mas quer explicação de consignado do Master
O que ele tem que esclarecer é a concessão que o Estado de Mato Grosso fez.
/ GD
O deputado estadual Júlio Campos (União) minimizou a polêmica envolvendo o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), E o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ambos jantaram juntos em Nova York, em 2023. Ao analisar o cenário, o parlamentar explicou que o encontro em si é algo comum na agenda social de quem chefia o Executivo. Ele pontuou que, embora Mendes classifique a denúncia como falsa, atribuindo ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) sua disseminação, imagens confirmam a presença do mato-grossense na cidade americana, ainda que não mostrem a participação de Vorcaro.
“Agora, ninguém sabe se é convocado ou se não é convocado. Cabe a ele esclarecer ou cabe à Polícia Federal esclarecer se realmente houve esse encontro. O mais grave de tudo isso não é encontrar para um jantar social, isso faz parte. Eu também fui governador, sempre fui convidado para jantar com banqueiros, com ministros de outros países. Jantar é normal, faz parte do relacionamento”, defendeu Campos nesta quarta-feira (17).
No entanto, o deputado cobrou firmeza e transparência em relação aos atos administrativos que aconteceram após o episódio, destacando que o verdadeiro foco das explicações deve ser a cronologia das decisões do Palácio Paiaguás. Sob suspeita estão a liberação de empréstimos consignados para os servidores públicos e o subsequente credenciamento do Banco Master, instituição ligada a Vorcaro.
“O que ele tem que esclarecer é a concessão que o Estado de Mato Grosso fez, reabrindo o processo de autorização para que bancos emprestassem consignados para os servidores públicos. E, uma semana antes da viagem, o Estado de Mato Grosso fez essa concessão para os bancos e, depois, uma semana depois, o Banco Master foi credenciado pelo governo do Estado de Mato Grosso para fazer consignado e fez os consignados em mais de R$ 100 milhões”, argumentou.
Apesar de considerar que a atuação nesse mercado é natural e também realizada por outras instituições como Banco do Brasil e Santander, Campos defendeu que o caso precisa ser detalhado pelo ex-governador e por Basílio Bezerra, secretário de Gestão.
“Aqui era concessão especial. É um decreto do governador, é um ato do secretário de administração, do secretário de gestão, doutor Basílio. Não é só o Master que foi credenciado. Então, agora tem que ver se essas consignas são emprestadas aos servidores públicos por parte do Master, se teriam algum juro anormal, algum contrato desatualizado, alguma prestação a mais do que deveria ser cobrado. Então, isso aí que tem que ser investigado”, declarou.
Por fim, ao ser questionado sobre a participação do Legislativo, Júlio Campos negou ter conhecimento de qualquer projeto de lei aprovado nos últimos três anos para beneficiar ou autorizar as transações da instituição financeira no estado. O deputado esclareceu que esse tipo de operação dispensa tramitação na Assembleia Legislativa, uma vez que o setor é regido por uma lei geral, cabendo ao próprio Executivo a função de regulamentar e credenciar as empresas de forma direta.
“Pelo menos no tempo que eu estou aqui como deputado, eu não tomei conhecimento de nenhuma lei autorizando o Banco Master a trabalhar em Mato Grosso. Eu acho que nunca precisou vir para a Assembleia. É uma lei geral de consignados e aí cabe a regulamentação por meio de decretos, de portaria do Executivo”, concluiu, relembrando que desconhece se houve algum decreto do tipo durante a gestão.
O Jantar em NY
A polêmica envolve a suposta participação do ex-governador Mauro Mendes em um jantar de luxo de R$ 66 mil em Nova York, em maio de 2023, que teria sido pago pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A suspeita de favorecimento surgiu porque o encontro coincidiu com decretos do governo de Mato Grosso que criaram uma nova modalidade de cartão consignado para servidores.
Semanas depois, o Banco Master, ligado a Vorcaro, foi credenciado para operar o serviço, que virou alvo de investigação da Polícia Federal. Diante do caso, a defesa de Mendes entrou em contradição, primeiro com a assessoria confirmando a viagem particular sem negar o encontro e, depois, o próprio político negou categoricamente o episódio, afirmando não conhecer o banqueiro e prometendo processar os envolvidos na denúncia.
Política
Janaina diz que conversará com Pivetta, WF e Jayme por aliança
Líder do MDB tenta viabilizar alianças para que a própria candidatura ao Senado não fique isolada.
Segundo ela, a legenda não restringirá o diálogo a nomes ou grupos específicos e citou as principais pré-candidaturas postas até o momento: do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos); do senador Wellington Fagundes (PL); do senador Jaime Campos (União); e da médica Natasha Slhessarenko (PSD).
“O MDB vai conversar com os quatro pré-candidatos que temos. O senador Jaime, o governador Pivetta, o senador Wellington Fagundes e, da mesma forma, com a candidata Natasha. Nós sabemos que, por questões partidárias, algumas alianças hoje não serão possíveis, mas vamos a todos”, disse.
“Se quiserem falar com o MDB, vamos dialogar. Se surgir mais algum pré-candidato que queira dialogar com o partido, o partido vai dialogar com todos”, acrescentou.
Janaina é pré-candidata ao Senado e até o momento não conseguiu palanque com outros candidatos da disputa principal deste ano. Até o momento, a maior proximidade é com o sogro e pré-candidato ao Governo Wellington Fagundes, do PL. Mas a junção enfrenta resistência dos bolsonaristas.
Já no grupo de Pivetta, Janaina é vista como opção de vice-governadora, o que pode distância uma aliança. Já Natasha é pré-candidata grupo do presidente Lula (PT) e isso deve inviabilizar a aliança em Mato Grosso.
Senado
Segundo Janaina, sua pré-candidatura segue mantida e será prioridade nas negociações futuras.
“Não muda [candidatura ao Senado]. E estamos trabalhando a melhor chapa para o MDB garantir a sua vaga ao Senado. A busca do MDB é essa”, disse.
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