CCIQUE RAONI
Cacique Raoni é internado na UTI com infecção grave em MT
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O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, foi internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, a 503 km de Cuiabá. A informação foi divulgada pela unidade de saúde na manhã desta segunda-feira (15).
Segundo o boletim médico, Raoni deu entrada no hospital às 17h de domingo (14), após ser transferido de avião da região de Peixoto de Azevedo, onde reside. De acordo com familiares, o cacique começou a apresentar problemas de saúde na manhã de sábado (13) e, no domingo, o quadro se agravou.
Ao chegar ao hospital, os exames iniciais apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica é de sepse com foco pulmonar, causada por uma pneumonia broncoaspirativa associada a episódios de vômito.
Raoni permanece internado na UTI sob monitoramento contínuo, recebendo hidratação venosa, antibióticos de amplo espectro e suporte intensivo.
O hospital informou que o estado de saúde do líder indígena é considerado grave e requer acompanhamento ininterrupto da equipe multiprofissional.
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Em maio deste ano, Raoni foi internado no mesmo hospital após sentir fortes dores na barriga devido à uma hernia antiga, mas recebeu alta médica após dois dias de tratamento. Cinco dias depois, Raoni voltou a apresentar complicações de saúde e foi novamente para a UTI para tratar um quadro de pneumonia, onde permaneceu por mais sete dias.
Segundo a unidade de saúde, o líder indígena apresentava múltiplas comorbidades, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso implantado e insuficiência cardíaca.
Em setembro de 2022, ele chegou a ficar internado por cinco dias no hospital de Sinop, após ser diagnosticado com um problema cardíaco e passar por cirurgia para implante de marcapasso. Depois, passou alguns dias no município de Colíder até voltar para a aldeia.
Além disso, em julho de 2020, o cacique foi internado em um hospital de Colíder após ter passado mal. Ele chegou a ser transferido de avião para Sinop com complicações gastrointestinais e desidratação.
Em setembro do mesmo ano, foi novamente internado com diagnóstico de pneumonia pela equipe médica de sua aldeia, no Parque Indígena do Xingu. À época, recebeu alta médica nove dias depois. Ainda neste período, também apresentou um quadro depressivo após a morte da mulher dele, Bekwyjkà Metuktire.
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O líder indígena é uma das vozes mais influentes do Brasil na defesa dos indígenas e do meio ambiente. Ele iniciou seu ativismo em 1954, aprendeu português, e foi uma voz importante para o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas na Constituição de 1988.
Veja a trajetória de Raoni:
Raoni ganhou destaque internacional em 1977, quando um documentário sobre sua vida foi exibido no Festival de Cannes, na França;
Em 1989, visitou 17 países durante uma turnê internacional ao lado do ex-baixista Sting da banda inglesa The Police;
Em 2012, foi recebido pelo então presidente da França, François Hollande, no Palácio do Eliseu. Na ocasião, pediu pela preservação da Amazônia e dos povos que vivem na região;
Em 2020, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). O título é concedido a pessoas que possuem destaque na sua área de atuação ou que sejam personalidades respeitadas pelo trabalho com a sociedade;
Em 2023, acompanhou o presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) ao subir a rampa do Palácio do Planalto;
Em 2024, entregou uma carta ao Papa Francisco, durante um encontro no Vaticano, em Roma, para falar sobre as mudanças e catástrofes climáticas;
GERAL
Mato Grosso e Pará fecham primeiro acordo histórico no STF sobre disputa de 22 mil km²
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, homologou nesta quinta-feira (11) o primeiro acordo firmado entre os governos de Mato Grosso e Pará na ação que discute os limites territoriais entre os dois estados. O entendimento foi construído durante audiência de conciliação realizada na quarta-feira (10) e representa um avanço inédito na tentativa de solucionar um impasse que envolve cerca de 22 mil quilômetros quadrados de área na divisa interestadual.
A decisão mantém em andamento a Ação Rescisória (AR) 2964, proposta por Mato Grosso para contestar o julgamento realizado pelo STF em 2020, que confirmou os limites territoriais definidos oficialmente desde 1922. Apesar da continuidade do processo, o acordo estabelece medidas práticas para enfrentar um dos principais problemas da região: a regularização fundiária.
Pelo compromisso firmado, Mato Grosso e Pará terão prazo de 30 dias para realizar um mapeamento cartográfico conjunto dos imóveis titulados pelo Estado de Mato Grosso que estão localizados em território reconhecido judicialmente como pertencente ao Pará.
Além disso, os dois estados deverão identificar e catalogar os títulos de propriedades situadas acima da chamada linha da ACO 714, decisão que serviu de base para a definição dos limites territoriais.
Outro ponto importante do acordo prevê o compartilhamento de informações entre o Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) e o Instituto de Terras do Pará (Interpa). Após a consolidação dos dados, o Pará deverá apresentar ao STF um levantamento detalhado para permitir a obtenção das cadeias dominiais junto aos cartórios de registro de imóveis.
Na etapa seguinte, os governos estaduais terão que elaborar um diagnóstico completo da situação fundiária da área em disputa e apresentar um plano de trabalho para regularização das propriedades afetadas pela controvérsia territorial.
A medida é considerada estratégica para trazer mais segurança jurídica a produtores rurais, moradores e investidores que convivem há anos com incertezas relacionadas à titularidade das terras localizadas na região de fronteira entre os dois estados.
A homologação do acordo é vista como um passo importante para reduzir os impactos da disputa territorial e abrir caminho para futuras soluções consensuais sobre uma das maiores controvérsias fundiárias do país.
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