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POUCA CHUVA

Crise hídrica – Chuvas serão insuficientes para revertera o cenário atual; alertam especialistas

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Instituto Nacional de Meteorologia aponta para chuvas abaixo da média nos próximos três meses

As chuvas previstas para os próximos três meses não serão suficientes para afastar a crise hídrica que o país vive. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ao menos neste momento, as chuvas esperadas para os próximos meses não vão resolver a situação de falta d’água nos reservatórios.

As previsões do instituto para os meses de setembro, outubro e novembro indicam, inclusive, que com exceção do leste do Mato Grosso do Sul, sudoeste do Mato Grosso, oeste de São Paulo e centro de Minas Gerais, há grandes chances de chuvas abaixo da média nas demais regiões do país.

Como 65% da matriz energética brasileira depende das hidroelétricas, esse dado é bastante preocupante, segundo os especialistas.

Ainda de acordo com o Inmet, com exceção dos meses de janeiro e fevereiro de 2020 e 2021, o país tem sofrido com baixos volumes de chuvas há alguns anos.

“Tendo como referência as estações da rede do INMET na área da Bacia do Rio Paraná, como um todo (incluindo os estados do MS, PR, SP, MG e GO), observou-se que desde 2018, os volumes de chuva ficaram abaixo da média climatológica, com exceção de alguns meses pontuais”.

Normalmente, de acordo com dados do Inmet, nos meses de setembro, outubro e novembro, costuma chover entre 300 e 400 mm. A previsão para este ano é de chover até 100 mm a menos do que o normal. Segundo Morgana Almeida, meteorologista do Inmet, o baixo volume de chuva neste ano pode ser explicado por um fenômeno meteorológico.

“As entradas das frentes frias não serão muito frequentes e com isso não terá um padrão muito regular. Não teremos nem o fenômeno do El Niño nem da La Niña”, explica ela. Ainda segundo a especialista, “Em algumas partes do Brasil, norte, nordeste e sul, especialmente, algumas alterações no padrão da chuva são mais nítidas quando da atuação de um desses fenômenos”, complementa a meteorologista.

Sobre a não ocorrência desses fenômenos, Morgana explica que as alterações nos padrões de temperatura da superfície do mar geram alterações na circulação da atmosfera, que dão origem a estes fenômenos (El Niña e La Niña).

Porém, mesmo que o cenário mude de forma drástica e chova mais do que o previsto, não será o suficiente para arrefecer a crise hídrica atual. É o que destaca o especialista da FGV Energia, Paulo Cunha.

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“Os ciclos de replecionamento (ou reenchimento) dos reservatórios têm sido insuficientes nos últimos anos e assim, as condições do solo e dos aquíferos são desfavoráveis para converter precipitação (chuva) em vazão (o que garante água nos reservatórios). É um fenômeno climatológico”, disse Cunha à CNN.

Com níveis baixos nos reservatórios, pouca chuva e perspectivas negativas sobre os próximos meses em relação ao volume de precipitações no país, o uso das termelétricas para suprir a deficiência das hidrelétricas se faz necessário.

Com isso, a conta de luz para os consumidores invariavelmente fica mais cara. Os custos das térmicas são muito mais elevados do que os das hidrelétricas. E esse custo é repassado ao consumidor.

Segundo o especialista, dificilmente ao longo dos próximos meses as termelétricas serão menos utilizadas em decorrência de possíveis volumes acentuados de chuvas. “É claro que quanto mais chuva, melhor”, diz ele. “Mas infelizmente o mais provável é que mesmo com boas chuvas, o que não é certo, deveremos ter um despacho (uso) térmico importante no próximo ano”, finaliza.

Sobre possíveis apagões, Cunha espera que o país não chegue a esse ponto. Porém, segundo ele, como a operação ficará mais “estressada” em função do aumento das transferências de energia entre regiões, os riscos de apagões sobem.

“No ponto em que estamos, acredito que as medidas mais eficazes são as que induzem a redução ou deslocamento da carga. Quais sejam: Estímulo financeiro pela redução do consumo, ou pelo deslocamento da carga nos períodos de ponta. A questão é saber se os sinais a serem oferecidos serão suficientes para obter esses efeitos. O ponto sensível é dosar os estímulos para que os efeitos se verifiquem antes de uma redução compulsória”, afirma.

Na última Nota Técnica divulgada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) na última semana, a agência já havia reconhecido o problema da falta de chuva no país.

“Ao longo dos últimos anos, a precipitação observada em algumas das principais bacias hidrográficas integrantes do SIN (Sistema Interligado Nacional) tem se mostrado significativamente abaixo da média histórica. O déficit de precipitação acumulado nos últimos 10 anos em algumas bacias chega alcançar um valor maior do que o total de chuva que ocorre em média em um ano”.

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Mas se a crise hidrológica com níveis de chuva abaixo do normal acoentece há anos, por que chegamos a este ponto justo neste ano?

Para o professor do Programa de Planejamento Energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maurício Tolmasquim, além da pior crise hidrológica dos últimos 91 anos, com volumes muito baixos de chuvas, o governo federal demorou para tomar medidas.

Segundo ele, o governo demorou para usar as termelétricas, no intuito de preservar a pouca água nos reservatórios. As térmicas só foram acionadas de forma mais ampla quando o problema já era grave, diz ele.

Tolmasquin também destaca que houve atraso do governo federal em estipular medidas de redução da demanda. Essas medidas deveriam ter começado há pelo menos 6 meses, quando se observou que na época úmida, entre os meses de dezembro de 2020 e março de 2021, havia chovido muito menos do que o esperado.

As medidas só foram adotadas recentemente, quando o período seco já estava começando no país. Para ele não há solução a médio e curto prazo.

Paulo Cunha, da FGV energia, concorda com a posição de Tomalsquin e acrescenta que a crise deve durar até o ano que vem. Para ele, o governo precisa de coragem para, se a população não reduzir o consumo de energia de forma voluntária, estipular o racionamento compulsório de energia.

Questionado sobre o possível atraso nas medidas para evitar o baixo nível de água nos reservatórios e sobre a dependência do país em relação às hidrelétricas, o Ministério de Minas e Energia (MME) respondeu que “as instituições do setor energético continuam trabalhando, incessantemente, para o provimento da segurança energética no ano que se deflagrou a pior hidrologia de toda a série histórica de 91 anos.”

O MME acrescentou que “embora a hidroeletricidade ainda seja a principal fonte de geração no Brasil, sua participação na matriz elétrica brasileira tem cedido espaço a outras, desde os anos 2000, numa estratégia intencional de diversificação dessa matriz, buscando reduzir a dependência da hidroeletricidade, uma das principais vulnerabilidades identificadas no racionamento observado em 2001.”

A pasta adotou também uma política de reforço significativo do Sistema Interligado Nacional (SIN), que permite que consumidores de um local do país possam consumir a eletricidade produzida em outro extremo do Brasil quase que instantaneamente, reduzindo a dependência das fontes de geração disponíveis em dada região.

Olho no Araguaia – CNN

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Meio Ambiente

Incênndio atinge área próxima ao perímetro urbano de Água Boa

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– LIBERDADE FM

Um incêndio florestal de grandes proporções atingiu uma extensa área de vegetação na confrontação do bairro Echer na manhã desta quarta-feira (26), e mobilizou equipes de combate durante todo o dia. As chamas começaram por volta das 7h e se espalharam rapidamente, favorecidas pelo terreno acidentado e a incidência de ventos fortes na região.

Imagens registradas no local mostram a dimensão da área atingida pelo fogo. Grandes trechos de vegetação ficaram completamente queimados, enquanto pontos ainda apresentavam fumaça. Em alguns locais, as chamas chegaram a ficar próximas de áreas residenciais, aumentando a preocupação com a segurança da população.

O combate começou de forma manual, com a utilização de sopradores. No entanto, as características do terreno, marcado por declives acentuados, buracos e áreas de solo encharcado, dificultaram o avanço das equipes e o controle do incêndio.

Diante da proporção da ocorrência, a Prefeitura mobilizou maquinário e trabalhadores para auxiliar no combate. Tratores foram utilizados na abertura de aceiros para tentar impedir o avanço das chamas, enquanto três caminhões-pipa foram empregados no lançamento de água nas áreas atingidas.

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Ao longo do dia, o fogo avançou e se concentrou principalmente em uma área de mata próxima ao bairro Universitário. Segundo avaliação do capitão Cuiabano do Corpo de Bombeiros, comandante da operação, aproximadamente 200 hectares de vegetação foram atingidos pelo incêndio.

As equipes permaneceram empenhadas durante todo o período na contenção das chamas e no monitoramento dos pontos de maior risco. Aproximadamente 50 mil litros de água foram utilizados durante a operação.

Ao final dos trabalhos, ainda havia focos ativos no interior de uma reserva existente na região. O combate e o monitoramento continuaram para evitar que o fogo voltasse a ganhar força e avançasse novamente em direção às áreas próximas ao perímetro urbano.

O cenário deixado pelo incêndio revela a extensão dos danos à vegetação e reforça a necessidade de atenção durante o período de estiagem, quando as condições de tempo seco, vegetação ressecada e ventos favorecem a rápida propagação do fogo.

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