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RACHA INTERNO

Convenção do União Brasil expõe racha interno e levanta debate sobre democracia partidária em Mato Grosso

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A convenção do União Brasil em Mato Grosso, realizada nesta quinta-feira (30/07), deixou marcas profundas dentro da legenda e evidenciou um ambiente de divisão que dificilmente será superado no curto prazo. A expressiva derrota do senador Jayme Campos, um dos principais nomes da história do partido no Estado, representa mais do que o resultado de uma disputa interna: simboliza um rompimento entre a trajetória construída por décadas e um novo modelo de condução política baseado na concentração de poder.

Com uma das mais respeitadas carreiras da política mato-grossense, Jayme Campos foi governador, senador e liderança histórica do União Brasil. Ainda assim, viu sua candidatura ser derrotada em uma convenção marcada por forte mobilização do grupo ligado ao governador Mauro Mendes, que trabalha para consolidar o apoio do partido ao projeto de Otaviano Pivetta na sucessão estadual.

Após a votação, o próprio Jayme Campos afirmou, em entrevistas à imprensa, que o processo foi “desonesto” e atribuiu o resultado a uma atuação baseada em forte pressão sobre convencionais e em práticas que, segundo ele, configurariam compra de apoio político. As declarações ampliaram o desgaste interno e colocaram em xeque a legitimidade política do processo, ainda que essas alegações não tenham sido comprovadas.

O episódio evidencia um cenário preocupante para a democracia interna dos partidos. Quando lideranças históricas afirmam que não houve igualdade de condições na disputa, cresce a percepção de que decisões partidárias deixam de refletir a vontade livre dos filiados e passam a ser influenciadas por estruturas de poder e interesses concentrados.

A movimentação também reforça a estratégia de Mauro Mendes de manter seu grupo político no comando do Palácio Paiaguás após o fim de seu mandato, apostando na candidatura de Otaviano Pivetta como sucessor. A prioridade, segundo críticos desse movimento, deixa de ser o debate de ideias e passa a ser a manutenção de um mesmo projeto de poder.

O resultado da convenção, longe de pacificar o União Brasil, aprofunda as fissuras internas e pode produzir reflexos importantes nas eleições de 2026. A insatisfação manifestada por Jayme Campos e por seus aliados demonstra que parte significativa da legenda não se sente representada pela condução adotada e questiona os métodos utilizados para definir os rumos do partido.

Mais do que uma disputa entre grupos políticos, a convenção reacende um debate essencial para a democracia: o direito de que decisões partidárias sejam tomadas de forma transparente, equilibrada e sem qualquer tipo de constrangimento aos seus membros. Quando esse princípio é colocado em dúvida, não é apenas um candidato que sai derrotado, mas a própria confiança nas instituiçõe

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Política

Deputado chama Mauro de traidor na mesa de convenção e vaias tomam conta do espaço

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O ex-governador Mauro Mendes (União), que preside o União Brasil em Mato Grosso, recebeu sonoras vaias dos seus correligionários durante convenção do partido, nesta quinta-feira (30). Além da reprovação generalizada, ele foi chamado de “traidor” por seu ex-líder de governo, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União), o que alimentou ainda mais a indignação e vaias dos presentes. O parlamentar acusou o chefe da sigla de trair o partido ao rifar o projeto de candidatura própria ao governo do Estado, liderado pelo senador Jayme Campos (União).

Em vez de sustentar o nome do senador, o grupo de Mendes articulou o alinhamento e o apoio oficial da legenda à reeleição do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Com a camiseta do histórico PFL e empunhando o microfone, Dilmar disparou contra a cúpula partidária no palco. “Nunca na história deste PFL, nunca na história vi o partido traindo o partido!”, disse.  

A fala inflamou o plenário, gerando gritos de apoio dos correligionários e uma onda de protestos contra os dirigentes sentados à mesa. Visivelmente constrangido, mas buscando manter o controle da convenção, Mauro Mendes assumiu a palavra logo na sequência para tentar responder ao ataque e conter os manifestantes que gritavam no auditório.  

Interrompido por sucessivas vaias da militância, Mendes procurou minimizar as acusações, enquadrando a escolha por Pivetta como uma decisão estratégica rotineira.  

“Entendo o respeito e a consideração que tenho pelo senador Jayme, já manifestei isso diversas vezes. Entretanto, o partido decidiu que vai apoiar outro. Isso é uma decisão política!”, argumentou o ex-governador ao microfone. Para rebater o argumento de ineditismo do racha trazido por Dal Bosco, Mendes recorreu ao resgate histórico das fusões partidárias que originaram a atual legenda.  

“O nosso partido, desde as suas origens históricas, por várias e várias e várias vezes, decidiu apoiar candidaturas de outros partidos. Não é salutar dizer que quem está apoiando não concorda com isso. Isso é uma opção política, de visão conjuntural”, defendeu-se o ex-governador sob clima tenso.  

A confusão escancara a complexidade da trajetória política de Dilmar Dal Bosco. Conhecido por sua habilidade de articulação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), o parlamentar vive uma situação emblemática: foi o homem de confiança e líder de governo durante toda a gestão de Mauro Mendes no Palácio Paiaguás e exerce hoje a liderança do governo Pivetta no parlamento estadual.

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Apesar de atuar como ponte da gestão estadual, Dal Bosco deixou claro no ato que sua lealdade partidária e pessoal permanece inabalável ao grupo liderado pelos irmãos Jayme e Júlio Campos, caciques fundadores e fiadores do antigo PFL e DEM no estado.

O embate público em Cuiabá sela o ápice da “guerra fria” travada há meses entre o pragmatismo eleitoral de Mauro Mendes e o peso tradicional da oligarquia Campos. Enquanto o grupo de Mendes celebra a composição pragmática com Pivetta, a ala dos Campos sinaliza que a ferida aberta na convenção deixará cicatrizes profundas na fidelidade da base governista durante a campanha.

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