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ÁREAS ÚMIDAS

Áreas úmidas do Araguaia ganham base técnica para uso produtivo, mas fiscalização ainda é desafio

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–  Agência da Notícia



Estudos da Embrapa, UFMT e Uniselva apresentaram critérios técnicos validados para separar, delimitar e manejar áreas úmidas nas planícies do Araguaia e Guaporé. A proposta é tornar sustentável o uso agropecuário nessas regiões, conciliando produção com preservação ambiental. O próximo passo é o Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA‑MT) analisar o material para transformá‑lo em norma.

Estudos e promessas

O parecer técnico da Embrapa considera dados de relevo, solo hidromórfico, séries históricas de inundação e umidade do solo, além de vegetação, para classificar áreas em núcleos permanentemente alagáveis, zonas sazonalmente úmidas e terra firme adjacente. Esses critérios permitirão definir quais partes dessas planícies podem ter uso produtivo — e sob quais condições de limitação. Produtores e entidades ligadas ao setor agroindustrial viram com expectativa esse avanço, apontando a possibilidade de reduzir a insegurança jurídica, destravar licenças ambientais e harmonizar normas estaduais com a lei federal (Código Florestal). Também foi divulgado que, em pouco tempo (cerca de 30 dias), aproximadamente na segunda semana de outubro de 2025, o CONSEMA‑MT deverá analisar o estudo, o que pode resultar numa resolução estadual que torne obrigatórios os critérios técnicos, tornando-os aplicáveis no licenciamento ambiental estadual e municipal.

O que ainda preocupa

Apesar do consenso técnico que parece emergir, há lacunas que carecem de atenção: – Transparência e acesso aos dados brutos. Até o momento, não houve publicação completa do estudo técnico com mapas, modelos hidrológicos ou séries que permitam que pesquisadores, comunidades ou produtores façam checagem independente. – Norma vs. Promessa: o fato de o estudo ainda não ser norma deixa em aberto como será a regulação prática. Parlamentares citam “tranquilidade para produzir”, “segurança jurídica”, “fim da insegurança”, mas não detalharam como será a fiscalização.

– Estrutura de fiscalização. Sem aparatos claros de monitoramento (uso de satélite, vistoria de campo, relatórios regulares), as regras podem ficar apenas no papel. – Variedade ecológica local. As planícies do Araguaia não são homogêneas: topografia, regime de inundação, solo, biodiversidade e comunidades tradicionais variam dentro da região. Uma norma estadual precisa permitir ajustes locais.

Caminhos para equilibrar produção e proteção

Para que a nova regulação que pode sair do CONSEMA seja efetiva, é essencial: 1. Publicar integralmente o estudo técnico, com mapas, séries de inundação e dados originais. 2. Definir zonas de manejo bem delimitadas, com níveis de restrição distintos. 3. Estabelecer condicionantes operacionais claros para licenciamento. 4. Criar mecanismos de fiscalização efetiva com tecnologia, equipes de campo e sanções. 5. Envolvimento social e participação democrática. 6. Compatibilização com legislação federal e normas municipais.

Conclusão

O estudo técnico validado pela Embrapa representa um avanço importante para a agropecuária no Araguaia: há bases para que produtividades possam ser mantidas ou ampliadas de modo sustentável. Mas “base para” não é “realidade consolidada”. A análise do CONSEMA‑MT será decisiva para transformar o parecer em norma com força obrigatória. E, mais do que isso, vai depender da qualidade da fiscalização, da clareza dos critérios e da participação da sociedade. Sem isso, corre‑se o risco de abrir espaço para impactos ambientais ou disputas judiciais — ou, inversamente, de manter as áreas improdutivas pela insegurança normativa. O desafio agora é fazer direito: produzir, sim — mas com responsabilidade.
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AMM conclui agenda técnica no Araguaia com orientações para fortalecer agricultura familiar e gestões municipais

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A Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) concluiu nesta quinta-feira (30) a agenda de visitas técnicas realizada em três municípios da região Araguaia. Entre os dias 28 e 30 de julho, equipe da instituição esteve em Santa Cruz do Xingu, Confresa e Vila Rica, promovendo orientações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, à atualização da legislação do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e às ações que contribuem para a melhoria dos indicadores municipais relacionados à participação no ICMS. As reuniões foram conduzidas pela gerente de Agricultura Familiar da AMM, Nathacha de Carvalho.

Durante a programação, foram realizadas audiências públicas, com  a participação de gestores públicos, vereadores, produtores rurais, representantes de associações e cooperativas, com o objetivo de apresentar informações, esclarecer dúvidas e orientar sobre medidas que podem ampliar as oportunidades para a produção local e fortalecer as políticas públicas voltadas ao setor.

Em Santa Cruz do Xingu e Confresa, a equipe da AMM tratou da importância da alteração da legislação do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), adequando os procedimentos municipais às normas nacionais. A atualização prevê a inclusão de um capítulo específico para a agroindústria de pequeno porte e para a produção artesanal, possibilitando a desburocratização dos processos e criando melhores condições para que pequenos produtores realizem o processamento de produtos de origem animal de forma adequada, respeitando as características da produção artesanal. A expectativa é que a proposta de alteração da legislação seja encaminhada para votação na próxima sessão da Câmara Municipal.

Já em Vila Rica, a agenda foi direcionada à gestão municipal, com a participação do prefeito, primeira-dama e representantes das secretarias de Educação, Agricultura, Assistência Social, Saúde, Meio Ambiente e Finanças. A equipe da AMM apresentou orientações relacionadas ao Índice de Participação dos Municípios (IPM) no ICMS que considera ações desenvolvidas pelas prefeituras em diferentes áreas. Durante o encontro, foram destacadas as ações da agricultura que podem contribuir para o desempenho municipal, como a oferta de assistência técnica e extensão rural, a elaboração do Plano Municipal da Agricultura Familiar, a aquisição de alimentos da agricultura familiar para a alimentação escolar da rede municipal e os investimentos realizados no setor.

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A gerente de Agricultura Familiar da AMM, Nathacha de Carvalho, disse que a agenda foi muito positiva, pois possibilitou orientar gestores, vereadores, produtores e representantes da sociedade sobre a atualização da legislação do SIM e as oportunidades para a agroindústria de pequeno porte e a produção artesanal. “Estamos na expectativa de que a legislação do SIM seja aprovada pelas Câmaras Municipais, permitindo que produtores, gestores e a população sejam beneficiados pelos avanços que a medida proporciona, especialmente com a ampliação das oportunidades de comercialização. A AMM permanece à disposição dos municípios para apoiar iniciativas que fortaleçam a agricultura familiar, setor fundamental para milhares de famílias mato-grossenses”, afirmou.

Oportunidade para os municípios
As visitas técnicas abriram espaço para diálogo, esclarecimento de dúvidas e apresentação de caminhos para aprimorar políticas públicas. Para os gestores municipais, o apoio da AMM é fundamental para fortalecer a agricultura familiar, ampliar oportunidades aos produtores e melhorar o desempenho dos municípios.

A prefeita de Santa Cruz do Xingu, Joraildes Soares de Souza, destacou a importância da audiência pública promovida com apoio da AMM para esclarecer dúvidas de vereadores, produtores e da população sobre a implantação do Serviço de Inspeção Municipal (SIM). Segundo ela, a iniciativa representa uma oportunidade para ampliar os mercados dos produtores locais. “Foi uma audiência muito produtiva, que tirou dúvidas e vai abrir uma porta para que nossos produtores possam comercializar seus produtos com a documentação adequada”, ressaltou.

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O presidente da Câmara de Confresa, Elton Messias, destacou a importância das orientações repassadas durante a audiência pública e afirmou que a implantação do SIM poderá ampliar as possibilidades de comercialização dos produtores rurais, inclusive para a alimentação escolar. “Queremos agradecer o presidente da AMM por essa reunião, que trouxe esclarecimentos importantes para que possamos avançar e fortalecer os produtores do município. Creio que vamos chegar ao objetivo final, que é aderir ao SIM  juntamente com os outros municípios que já aderiram”, afirmou.

O secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Vila Rica, Rafael Gallo, ressaltou a contribuição da AMM para o fortalecimento da agricultura familiar e para o aprimoramento das ações municipais. “Agradecemos a associação por nos dar esse suporte e por ter fortalecido toda agricultura familiar em Mato Grosso por meio do apoio técnico para que as prefeituras possam trabalhar de forma organizada. A palestra foi muito esclarecedora para que possamos fortalecer o desempenho de Vila Rica no índice de participação dos municípios e no repasse do ICMS”, assinalou.

Com o encerramento da agenda, a AMM reforçou a importância da aproximação com os municípios e do diálogo direto com gestores, produtores e organizações locais. A instituição dará prosseguimento às orientações para fortalecer iniciativas que estimulam o desenvolvimento da agricultura familiar e ampliam as oportunidades para os produtores rurais.

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