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SAFRA 2026/27

Irregularidade das chuvas limita plantio da soja em Mato Grosso

Enquanto o Centro-Norte enfrenta baixa regularidade das precipitações, o Paraná pode ter paralisações pontuais por excesso de chuva.

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O plantio da soja 2026/27 deve enfrentar obstáculos distintos até meados de outubro em duas das principais regiões produtoras do país, segundo a Ampere Consultoria. Em Mato Grosso, a irregularidade das chuvas limita a semeadura de sequeiro e mantém o foco no estabelecimento das lavouras. No Paraná, a previsão de volumes acima de 100 milímetros pode reduzir as janelas de operação no campo.

Em Mato Grosso, as precipitações previstas até o fim da primeira quinzena de outubro devem seguir irregulares, com volumes de até 40 milímetros, principalmente nas faixas oeste e sul do estado, de acordo com a consultoria. As chuvas já permitem avanço pontual dos trabalhos, mas parte das regiões produtoras ainda registra baixa disponibilidade de água no solo.

Segundo a Ampere Consultoria, a distribuição das chuvas nas próximas semanas será determinante para garantir condições adequadas de germinação e emergência das plantas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que a semeadura da soja alcançava 9,4% da área nacional em 5 de outubro.

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Agricultura

El Niño pode ter efeitos distintos sobre safras

O arroz é o caso mais direto

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O arroz é o caso mais direto Foto: NOAA

A possibilidade de um El Niño de forte intensidade até o fim do segundo trimestre de 2027 pode gerar efeitos distintos entre culturas e regiões, com reflexos sobre produtividade, logística, crédito e preços. Segundo o economista André Galhardo Fernandes, o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central estimou o impacto do fenômeno sobre soja, milho, algodão, arroz, cana-de-açúcar e café, que somam cerca de 75% do valor da produção agrícola nacional.

Na soja, o efeito nacional fica próximo de zero, mas esconde diferenças regionais. O ganho de produtividade no Rio Grande do Sul, ligado ao aumento das chuvas no Sul, compensa perdas no Matopiba, principalmente no Piauí e no Maranhão. Assim, um resultado agregado neutro pode ocultar mudanças relevantes na distribuição da produção.

No milho, os coeficientes são negativos e significativos para o país, tanto em episódios de El Niño quanto de La Niña, sem compensação entre regiões. A maior preocupação está na segunda safra, responsável pela maior parte da produção nacional. O algodão segue direção semelhante, com impactos negativos na maioria dos estados, embora Mato Grosso não apresente efeito identificável.

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O arroz é o caso mais direto, com efeito negativo também no agregado nacional e destaque para o Rio Grande do Sul. As projeções atuais são compatíveis com impacto adverso em 2027 semelhante ao de 1998 e 2016. A cana-de-açúcar não apresenta efeito relevante, enquanto no café o sinal mais claro está no ganho associado à La Niña.

Para a política monetária, choques simultâneos em diferentes culturas podem ser mais difíceis de tratar como transitórios. A análise regional também mostra que decisões de plantio, seguro e crédito exigem atenção além dos números nacionais.

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