ÁGUA BOA
Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

SUSPEITA

TCU identifica possível superfaturamento em convênio milionário da Prefeitura de Canarana

Publicado em

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou uma série de irregularidades na execução de recursos destinados à adequação de estradas vicinais em Mato Grosso por parte do Ministério da Agricultura e Pecuária, à época em que era comandado pelo senador Carlos Fávaro (PSD). O relatório da Corte apontou indícios de superfaturamento em uma obra no município de Canarana, falhas em processos licitatórios e deficiências no acompanhamento dos convênios.

A investigação se deu após um pedido do deputado federal Evair de Melo (Republicanos-ES), que denunciou que o ex-ministro teria favorecido redutos de seu interesse pessoal e, em 2023, destinou a Mato Grosso mais de R$ 42 milhões, ou seja, quase a metade do montante distribuído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Мара) naquele ano. A solicitação foi endossada pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que é presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara dos Deputados.

O requerimento mencionou especificamente os municípios de Canarana e Querência, que receberam, respectivamente, R$ 26,4 milhões e R$ 17,1 milhões por meio de convênios com Mapa, com início em julho de 2023. O documento também citava Gaúcha do Norte, que estaria em processo de adesão a uma licitação.

O TCU determinou então a realização de uma auditoria de conformidade para avaliar a estratégia e o planejamento do ministério na distribuição de transferências destinadas à adequação de estradas vicinais. A fiscalização também analisou os mecanismos utilizados pelo ministério para acompanhar a execução dos recursos e verificou, por amostragem, a regularidade dos procedimentos adotados entre 2019 e 2023.

A auditoria se deu entre março e dezembro de 2024 e examinou contratos de repasse e convênios considerados mais relevantes financeiramente no período. Um dos principais pontos identificados pelo TCU foi a ausência de institucionalização e estruturação adequada da política pública de adequação de estradas vicinais no âmbito do ministério.

Segundo os auditores, faltavam elementos capazes de demonstrar uma estratégia estruturada para orientar a distribuição dos recursos públicos destinados a esse tipo de obra. A fiscalização também apontou uma concentração significativa de recursos em Mato Grosso, já que, ao ampliar a análise para todas as transferências voluntárias realizadas em 2023, os auditores identificaram que o Estado recebeu R$ 147,3 milhões para adequação destas estradas, o equivalente a 47,4% de todos os recursos transferidos para essa finalidade naquele ano.

Leia Também:  Suspeito furta Hilux em Confresa, foge pela BR-158, atira contra Força Tática e acaba preso na divisa entre MT e PA

O segundo com maior volume de recursos foi o Maranhão, com 7,6% do total. Além de Canarana e Querência, a fiscalização identificou outros municípios mato-grossenses contemplados com valores expressivos em 2023.

Na amostra analisada estavam as cidades de Matupá, Campo Verde, Alta Floresta, Planalto da Serra e Gaúcha do Norte, cujos repasses alcançaram R$ 129 milhões. O TCU citou ainda problemas nos processos de contratação, como licitações na modalidade presencial sem justificativas consideradas adequadas pelos auditores, além da concessão de aceites a processos sem a fundamentação necessária.

No caso específico de Canarana, a auditoria apontou indícios de superfaturamentos em uma obra executada com recursos do convênio. Também foram identificadas irregularidades relacionadas à medição de serviços e à utilização de parâmetros de custos nos projetos básicos de engenharia.

O relatório mencionou, ainda, problemas na caracterização de determinados atos previstos nos projetos. Em Querência, a fiscalização encontrou problemas semelhantes relacionados aos projetos de engenharia, aos procedimentos de contratação e à fiscalização das etapas de execução.

O TCU apontou que tanto o ministério, quanto os municípios, não dispunham de procedimentos estruturados suficientemente para verificar as medições de todas as etapas e tipos de serviços previstos nas obras de adequação das estradas. O TCU também registrou que a mudança na forma de transferência dos recursos aumentou a responsabilidade operacional do Mapa.

AUMENTO PARA ESTRADAS

Entre 2019 e 2022, antes da gestão de Fávaro, 98% das transferências relacionadas à adequação de estradas vicinais eram realizadas por meio de contratos de repasse, enquanto apenas 2% utilizavam convênios. Em 2023, quando o senador assumiu o cargo, os convênios passaram a representar 48% destas transferências.

Como efeito de comparação, a auditoria apontou que entre 2019 a 2022, o Mapa firmou apenas um convênio destinado à adequação de estradas vicinais, número que saltou para 183 após a entrada de Fávaro. Para o TCU, as irregularidades foram efetivamente identificadas, encaminhando assim o relatório para a comissão da Câmara dos Deputados.

Leia Também:  Ex-primeira-dama de Cuiabá sofre AVC, passa por cirurgia e tem estado de saúde delicado

“Em linhas gerais, a auditoria identificou irregularidades na política pública executada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, tais como: ausência de institucionalização e estruturação da política pública de adequação de estradas vicinais; realização de licitações na forma presencial, sem justificativas adequadas, e concessão de aceites de processos licitatórios, sem a fundamentação devida; indício de superfaturamento em obra executada no âmbito de convênio firmado com o município de Canarana/MT; projetos com caracterização indevida de serviços e com indisponibilidade de dados necessários para o acompanhamento e controle dos convênios; execução dos objetos dos convênios com insuficiências tanto na fiscalização pelo convenente quanto no acompanhamento pelo  concedente”, diz a decisão do TCU.

JANGADA

O TCU também analisou, em outro processo, repasses feitos pelo ministério para o município de Jangada. A cidade recebeu R$ 28,7 milhões em recursos vinculados à pasta durante a gestão de Fávaro, valor que também passou a ser analisado pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) em uma auditoria.

A fiscalização busca verificar a regularidade dos repasses e a aplicação dos recursos públicos. Foram investigados três contratos, que consumiram R$ 26,51 milhões dos R$ 28,7 milhões destinados ao município por meio de emenda Pix de Carlos Fávaro.

Eles foram firmados com as empresas Aliança Construtora e Locação de Equipamentos e Miloca Locação de Equipamentos e Pavimentação. Segundo o TCE, a Aliança recebeu R$ 3,82 milhões em 2023 e outros R$ 11,41 milhões em 2024, enquanto a Miloca recebeu R$ 11,26 milhões em 2024.

A fiscalização identificou indícios de superfaturamento nos três contratos, com pagamentos superiores aos valores considerados de mercado, medições de quantidades acima dos serviços efetivamente executados e problemas relacionados à qualidade dos materiais e dos serviços entregues. O relatório também apontou divergências entre as dimensões previstas nos projetos e aquilo que foi efetivamente executado nas vias, incluindo diferenças na largura e na espessura das camadas da pavimentação.

Os contratos ainda sofreram alterações que elevaram os valores inicialmente previstos em aproximadamente R$ 4,64 milhões.

Advertisement

Cidades

Prefeitura de Canarana é investigada no TCE por ‘calote’ em direitos trabalhistas de servidores

Além da inadimplência nos repasses, o procedimento analisa a emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), que fez com que a compatibilidade com os débitos pendentes perante o RPPS fosse colocada em dúvida.

Published

on

 / GD

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE) deu andamento à apuração de denúncias contra a Prefeitura de Canarana (823 km a leste de Cuiabá) referentes a supostas irregularidades e atrasos nos repasses destinados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do município. As investigações têm como alvo o prefeito Vilson Biguelini (União) e o diretor-executivo do Fundo Municipal de Previdência Social dos Servidores de Canarana (Prevican), Fernando de Souza, conforme os autos que tramitam sob a relatoria do conselheiro Guilherme Antonio Maluf.

O caso teve origem em chamados recebidos pela Ouvidora-geral da Corte de Contas, os quais apontaram que o Poder Executivo teria deixado de efetuar o recolhimento integral das contribuições previdenciárias, compreendendo tanto a parte patronal quanto os valores descontados dos servidores públicos. As denúncias indicam especificamente a falta de repasses relativos às competências de dezembro de 2025, janeiro de 2026 e fevereiro de 2026, com saldo devedor superior a R$ 9,5 milhões registrado até julho de 2026.

Além da inadimplência nos repasses, o procedimento analisa a emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), que fez com que a compatibilidade com os débitos pendentes perante o RPPS fosse colocada em dúvida. Notificados preliminarmente pelo tribunal, a gestão municipal reconheceu a existência de atrasos nos recolhimentos, justificando-os por dificuldades financeiras e informando que providências vêm sendo adotadas para regularizar os débitos.

Leia Também:  Nova Nazaré recebe novo ônibus com capacidade para 40 passageiros

Por sua vez, a direção do Prevican confirmou repasses parciais e a manutenção de valores em aberto, destacando que medidas administrativas de cobrança foram encaminhadas ao Poder Executivo e defendendo a regularidade do CRP com base no Acordo de Parcelamento n.º 0529/2024.

Ao apreciar os pressupostos de admissibilidade, o relator concluiu que as manifestações e documentos apresentados revelam potencial lesivo ao interesse público e oferecem suporte suficiente para o prosseguimento da fiscalização. Além de ressaltar que a decisão atual se restringe à verificação de indícios e não constitui julgamento definitivo de mérito sobre as condutas imputadas.

Conforme destacou o conselheiro em sua decisão, “verifica-se a existência de elementos suficientes que indicam possível ocorrência de fatos com potencial repercussão sobre a gestão previdenciária municipal, justificando o prosseguimento da apuração”. Com o recebimento formal das denúncias, o processo seguirá para as próximas etapas de instrução técnica no âmbito do Tribunal de Contas.

Continuar lendo

AGUA BOA

VALE DO ARAGUAIA

MATO GROSSO

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA